Fragata russa dispara tiros de advertência contra iate de aposentados britânicos no Canal da Mancha
A fragata russa Admiral Grigorovich disparou tiros de advertência contra o iate Bright Future, de um casal britânico, em águas internacionais no Canal da Mancha na última terça-feira (16/06). A Rússia alegou aproximação perigosa, enquanto o Reino Unido classificou a conduta como imprudente
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A fragata russa Admiral Grigorovich disparou tiros de advertência contra o iate Bright Future, tripulado por um casal de aposentados britânicos, na manhã da última terça-feira (16/06). O episódio ocorreu no Canal da Mancha, a aproximadamente 37 quilômetros ao sul da Ilha de Wight, em águas internacionais.
Jane e Alan Kelvey relataram que a embarcação não estava em rota de colisão e que, ao perceberem a fragata, alteraram o rumo para sinalizar a presença do navio russo. Segundo o casal, a tripulação russa emitiu cinco sinais sonoros via buzina, seguidos por quatro ou cinco disparos para o alto, a cerca de 457 metros de distância. Jane Kelvey classificou a ação como desnecessária e registrou a ocorrência como um risco à navegação.
O Ministério da Defesa da Rússia justificou a ação afirmando que o iate realizou uma aproximação perigosa e que os disparos de rifle ocorreram após tentativas frustradas de contato via rádio e o uso de sinalizadores. O governo russo defendeu que a tripulação agiu conforme os regulamentos internacionais de navegação.
Por outro lado, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, descreveu a conduta russa como imprudente e manifestou solidariedade ao casal. O Ministério da Defesa britânico tratou o caso como um incidente isolado. Informações indicam que o iate teria ficado à deriva em meio à neblina, o que pode ter levado os marinheiros russos a interpretarem um risco maior de colisão, já que a fragata teria menor manobrabilidade nessa condição. Um bote do navio de patrulha HMS Tyne foi enviado ao local para prestar assistência e coletar dados.
O Admiral Grigorovich era monitorado pelo HMS Mersey em uma operação de rotina da Marinha Real. De acordo com a Otan, a fragata russa recebeu ordens de Moscou para escoltar a chamada "frota fantasma" — navios que transportam petróleo sob sanções. Para viabilizar a permanência prolongada no mar, a fragata teria sido reabastecida repetidamente pela embarcação de reparo PM-82, conforme imagens de satélite. Em abril, o navio russo teria escoltado seis embarcações dessa frota, além de submarinos e navios mercantes entre o Atlântico, o Mediterrâneo e o Báltico.
O incidente acontece em um cenário de alta tensão diplomática, marcado por acusações de incêndios criminosos na Grã-Bretanha atribuídos à Rússia e pela recente interceptação de um petroleiro da frota fantasma pela Marinha britânica no domingo anterior. Embora o Ministério da Defesa do Reino Unido negue ligação direta entre os dois eventos, ex-militares sugerem que a apreensão do petroleiro causou constrangimento a Moscou, dado que a fragata russa estava na região justamente para evitar tais operações.