Governo da Venezuela atualiza número de vítimas fatais de terremotos para 2.595 pessoas
O governo da Venezuela contabilizou 2.595 mortes e mais de 11 mil feridos após terremotos no norte do país. A ONU estima que 26 mil pessoas foram afetadas, com 189 edifícios derrubados e 12.841 desabrigados. O FMI e o Banco Mundial disponibilizaram crédito, incluindo um fundo de US$ 200 milhões para a reconstrução de moradias
O governo da Venezuela atualizou, nesta quinta-feira (2), o número de vítimas fatais dos terremotos que atingiram a região norte do país para 2.595 pessoas. Os sismos, ocorridos em sequência na noite de 24 de junho, foram os mais intensos registrados no território venezuelano em mais de cem anos, causando a destruição de casas e o desabamento de prédios em Caracas e localidades vizinhas.
A magnitude do desastre afetou mais de 26 mil pessoas, conforme estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), das quais 12.841 foram forçadas a abandonar suas residências. A presidente interina, Delcy Rodríguez, informou que 189 edifícios foram totalmente derrubados e que a tragédia resultou na morte de quase todos os servidores públicos do estado de La Guaira. Para as operações de socorro, foram mobilizados cerca de 4 mil agentes, e as buscas por sobreviventes permanecem ativas.
No campo financeiro, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) disponibilizaram linhas de crédito e auxílio para a reconstrução. Em parceria com o FMI, o governo venezuelano estabelecerá um fundo de US$ 200 milhões, destinado a empresas que executarão a recuperação das moradias destruídas.
As equipes de resgate, que incluem profissionais de 31 países — entre eles o Brasil —, continuam a procurar vítimas soterradas. Devido à carência de maquinário e mão de obra especializada, parte da população local tem auxiliado nas buscas de forma manual. Embora o período crítico para a localização de sobreviventes ocorra nas primeiras 72 horas, houve casos excepcionais, como o de Hernán Gil, vigilante de 43 anos, que foi resgatado após oito dias preso nos escombros de um shopping em Catia La Mar, região de La Guaira.
A situação humanitária é crítica, especialmente em La Guaira, onde o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) aponta o colapso dos serviços básicos e a falta generalizada de alimentos. Além do desabrigo, milhares de pessoas enfrentam a ausência de água potável e condições sanitárias precárias em abrigos superlotados.
O cenário agravou a crise de saúde pública no país, já fragilizada por anos de instabilidade econômica e emigração de profissionais médicos. O risco agora se expande para o surgimento de doenças infecciosas e a impossibilidade de tratar ferimentos, com um balanço governamental de quarta-feira (1º) que já contabilizava mais de 11 mil feridos.