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Governo da Venezuela eleva para 2.295 o número de mortos após duplo tremor

01 de Julho de 2026 às 18:08

O governo da Venezuela elevou para 2.295 o número de mortos e para 11 mil os feridos após sismos em 24 de junho. A ONU estima 1,2 milhão de toneladas de entulho e 15.800 deslocados, enquanto a NASA aponta quase 59 mil edifícios comprometidos. O sistema de saúde registrou danos em 38 hospitais e 680 mil crianças necessitam de assistência humanitária

O governo da Venezuela atualizou, nesta quarta-feira (1º), o balanço de vítimas do duplo tremor ocorrido em 24 de junho, elevando o número de mortos para 2.295 e de feridos para mais de 11 mil. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, informou que 12.841 pessoas foram afetadas pelos sismos. No entanto, a retirada diária de corpos dos escombros e a saturação dos necrotérios indicam que os números oficiais apresentam uma subnotificação considerável.

A operação de resgate oficial registrou uma queda drástica nos últimos três dias. Enquanto 5.380 pessoas foram salvas nas primeiras 48 horas, apenas quatro sobreviventes foram localizados pelas autoridades na segunda-feira. Na terça-feira, o único resgate oficial até o pôr do sol foi o de uma criança que permaneceu presa sob os destroços de um prédio por seis dias. Esse cenário contrasta com a mobilização de grupos de voluntários que, diante da lentidão governamental, atuaram autonomamente no salvamento de familiares antes da chegada de equipes internacionais.

A crise humanitária se intensifica com a estimativa de 1,2 milhão de toneladas de entulho acumuladas, segundo agências da ONU. Carlotta Wolf, porta-voz da agência da ONU para refugiados, indicou que mais de 15.800 pessoas estão oficialmente deslocadas, dormindo em carros e parques, com tendência de aumento desse número. No estado de La Guaira, região litorânea próxima a Caracas e a área mais atingida, a escassez de alimentos é generalizada. A falta de saneamento e higiene, somada a baixas taxas de vacinação, torna a população vulnerável a surtos de sarampo e infecções transmitidas pela água, como malária, febre-amarela e dengue.

O sistema de saúde venezuelano, já fragilizado pela emigração de 8 milhões de pessoas nos últimos anos — incluindo médicos e enfermeiros —, atingiu o limite. O governo relatou danos em 38 hospitais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou 21 dessas unidades, constatando que três cessaram as atividades, seis sofreram danos estruturais e as demais estão em processo de colapso devido à superlotação. A OMS destacou ainda o desaparecimento de médicos especialistas sob os escombros, especialmente profissionais de cuidados maternos em La Guaira.

Diante da ausência de dados oficiais sobre desaparecidos, a população utiliza bancos de dados digitais e grupos de WhatsApp para localizar parentes; um desses registros chega a listar 43.220 pessoas sumidas. Paralelamente, a NASA estima que quase 59 mil edifícios foram comprometidos ou destruídos. O impacto social atinge centenas de milhares de cidadãos, com o UNICEF apontando que 680 mil crianças necessitam de assistência humanitária imediata.

Em La Guaira e comunidades vizinhas, a assistência tem sido suprida por organizações não governamentais. Tendas da Cruz Vermelha e do Programa Alimentar Mundial foram instaladas em áreas públicas e esportivas, onde a população enfrenta filas sob sol intenso para obter medicamentos, alimentos, máscaras e itens de higiene.

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