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Governo de Donald Trump cria fundo de US$ 1,8 bilhão para indenizar vítimas de perseguição política

20 de Maio de 2026 às 06:23

O governo de Donald Trump criou o "Anti-Weaponization Fund", de quase US$ 1,8 bilhão, para indenizar vítimas de perseguições políticas e processos ideológicos nos Estados Unidos. O montante provém de uma reserva federal para acordos judiciais e será gerido por uma comissão de cinco membros até dezembro de 2028. A medida resultou de um acordo que encerrou ação judicial do presidente contra a Receita americana

O governo de Donald Trump estabeleceu um fundo de quase US$ 1,8 bilhão (R$ 9,1 bilhões) destinado a indenizar cidadãos que aleguem ter sido vítimas de perseguições políticas e processos judiciais motivados por ideologia nos Estados Unidos. O "Anti-Weaponization Fund" surge como parte de um acordo judicial que encerrou a ação de US$ 10 bilhões movida pelo presidente contra a Receita americana (IRS), motivada pelo vazamento de suas declarações de imposto de renda.

Como resultado desse acordo, a administração federal desistiu de auditorias e cobranças tributárias que pesavam sobre Trump, seus familiares e as empresas de seu grupo, além de prever um pedido formal de desculpas ao mandatário. O montante para as indenizações será extraído de uma reserva do governo federal utilizada para pagamentos de acordos judiciais.

A gestão dos recursos e a análise das denúncias caberão a uma comissão de cinco membros indicada pelo procurador-geral interino, Todd Blanche, com a prerrogativa de o presidente substituir integrantes do grupo. O fundo, que deve operar até dezembro de 2028, poderá emitir pedidos de desculpas oficiais e conceder compensações financeiras aos solicitantes aprovados.

Embora o governo não tenha detalhado os critérios de seleção ou listado beneficiários, a medida é vista como uma forma de reparar o que Trump define como uso político do Departamento de Justiça durante a gestão de Joe Biden. Entre os possíveis contemplados estão aliados investigados ou condenados, como o ex-assessor comercial Peter Navarro e o ex-estrategista Steve Bannon, ambos condenados por desacato ao Congresso. O presidente também foi questionado sobre a possibilidade de pagamentos a pessoas acusadas pelos ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 — grupo que soma mais de 1.500 processados —, mas delegou a decisão final ao comitê.

A iniciativa enfrenta forte oposição no Legislativo. A senadora Elizabeth Warren classificou a ação como corrupção extrema e propôs um projeto de lei para vedar que presidentes obtenham benefícios financeiros em acordos com o governo. No mesmo sentido, a deputada Jamie Raskin, do Comitê Judiciário da Câmara, argumentou que o fundo funciona como um "caixa político" custeado por dinheiro público.

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