Grupos de direitos humanos alertam torcedores sobre atuação do ICE na Copa do Mundo nos Estados Unidos
Grupos de direitos humanos e a sociedade civil alertam sobre riscos de deportações e prisões devido à presença de agentes do ICE nas cidades-sede da Copa do Mundo nos Estados Unidos. Enquanto autoridades afirmam que o foco será o combate a crimes e que não haverá atuação nos estádios, sindicatos e movimentos locais organizam resistências. Pesquisa da Universidade de Maryland e do Washington Post indica que 65% dos americanos são contra a presença desses agentes
A iminência da Copa do Mundo nos Estados Unidos trouxe à tona o temor de torcedores estrangeiros e entidades de direitos humanos quanto à atuação do Serviço de Imigração e Fronteiras (ICE) nas 11 cidades-sede. O receio é alimentado pelo histórico de violência das operações anti-imigração ocorridas no segundo mandato de Donald Trump.
Embora o secretário do Departamento de Segurança Interna, Markwayne Mullin, tenha confirmado a presença de agentes do ICE em todas as partidas, ele afirmou que o foco será o combate ao tráfico de pessoas, contrabando de drogas, produtos falsificados e ingressos fraudulentos. No entanto, o secretário de Estado, Marco Rubio, assegurou que não haverá atuação desses agentes dentro dos estádios.
Apesar das garantias oficiais, mais de 120 grupos da sociedade civil emitiram um alerta de viagem destinado a 10 milhões de visitantes. O comunicado detalha riscos como prisões, deportações, monitoramento invasivo de dispositivos eletrônicos, restrições de viagem e tratamentos degradantes durante a custódia do ICE. Diante desse cenário, as organizações Human Rights Watch, Sport and Rights Alliance e Dignity 2026 solicitaram a suspensão das fiscalizações durante o torneio, propondo uma trégua semelhante à tradição olímpica.
A resistência se manifesta também em ações locais. Em Dallas, o Movimento DFW distribui kits de apitos para alertar sobre a chegada de agentes. Em Los Angeles, cidade que sediará oito jogos, um sindicato de dois mil funcionários do SoFi Stadium ameaçou entrar em greve caso o ICE seja enviado ao local, visando proteger a maioria de trabalhadores estrangeiros da arena.
O clima de insegurança atinge inclusive a comunidade haitiana em Massachusetts, a maior diáspora do país com cerca de 87 mil pessoas. Mesmo com a primeira participação da seleção do Haiti na Copa, o alto custo dos ingressos afasta esses imigrantes dos estádios, mas as reuniões para assistir aos jogos continuam a gerar apreensão.
O torneio, que começa na próxima quinta-feira e terá 78 das 104 partidas em solo americano, conta com a oposição de 65% dos cidadãos dos Estados Unidos em relação à presença de agentes do ICE nos estados, conforme aponta pesquisa da Universidade de Maryland e do Washington Post.