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Guia nepalês sobrevive após passar seis dias isolado no Monte Everest

07 de Junho de 2026 às 06:07

O guia nepalês Hillary Dawa Sherpa foi resgatado após seis dias isolado no Monte Everest. O montanhista sobreviveu consumindo chocolates e gelo, superando a queda em uma fenda e avalanches até chegar ao acampamento-base. Ele segue em estado estável em um hospital de Katmandu para tratar fratura, desidratação e congelamento

Guia nepalês sobrevive após passar seis dias isolado no Monte Everest
Prabin Ranabhat/ AFP via Getty Images

Um guia nepalês de 57 anos, conhecido como Hillary Dawa Sherpa, sobreviveu após passar seis dias isolado no Monte Everest. O montanhista foi dado como morto, a ponto de sua família, em Katmandu, ter iniciado os ritos fúnebres, mas foi resgatado ao ser avistado por uma equipe que descia em direção ao acampamento-base.

O incidente começou durante a descida da montanha, quando o esgotamento do suprimento de oxigênio impossibilitou o deslocamento de Dawa Sherpa, forçando-o a ficar para trás. O último contato antes do desaparecimento ocorreu na quinta-feira (4), nas proximidades da Cascata de Gelo de Khumbu. Na ocasião, o escalador britânico Chris Thrall viu o guia sentado sobre a mochila a cerca de 7.500 metros de altitude, próximo ao Acampamento 3. Thrall seguiu a descida e, ao encontrar outro integrante do grupo — um polonês com congelamento severo e sem oxigênio —, concentrou a atenção no socorro ao companheiro mais debilitado.

Para sobreviver ao isolamento, o guia consumiu chocolates que carregava nos bolsos e mastigou gelo. Durante a tentativa de descer a montanha, ele caiu em uma fenda, onde permaneceu preso por dois dias e meio. A saída do local foi viabilizada por uma avalanche que depositou neve dentro da fenda, criando a base necessária para que ele conseguisse emergir. Após o esforço, Dawa Sherpa utilizou cordas para prosseguir a descida, enfrentando outra avalanche e caminhando durante a noite até alcançar o acampamento-base, onde foi auxiliado por rapazes que recolhiam lixo na região.

Após o resgate, o montanhista foi transportado por helicóptero para o Hospital HAMS, em Katmandu. Ele permanece em estado estável na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo tratamento para fratura, congelamento e desidratação.

O caso foi descrito como um "autorresgate" por Pemba Sherpa, diretor-executivo da 8K Expeditions, empresa responsável pelas buscas. A esposa do guia, Damu Sherpa, relatou que a empresa de expedição havia informado a impossibilidade de resgate, o que levou a família a desistir de esperanças antes do retorno do marido. Ela defendeu que o governo nepalês implemente medidas para evitar que situações semelhantes se repitam.

A temporada atual do Everest foi a mais movimentada da história, com mais de mil pessoas atingindo o cume. No entanto, o período registrou a morte de cinco pessoas. Desde a década de 1920, quando os registros foram iniciados, mais de 300 alpinistas morreram na montanha.

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