Gustavo Petro antecipa discurso de despedida para o dia da independência da Colômbia
Gustavo Petro antecipou para 20 de julho seu discurso de despedida da presidência da Colômbia. A medida ocorre após a vitória de Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores da Pátria, que obteve 12.959.542 votos nas eleições presidenciais
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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, antecipou para o dia 20 de julho, data da independência do país, o seu discurso de despedida do cargo. O pronunciamento, que ocorrerá em praças públicas, acontece pouco mais de um mês antes do término oficial de seu mandato, previsto para 7 de agosto, data que o mandatário classificou como "trágica". Com a medida, Petro convoca uma mobilização geral e a organização de uma resistência nas ruas, transferindo a tensão política para o feriado nacional enquanto a oposição de ultradireita consolida a vitória nas urnas.
A movimentação ocorre após a finalização da apuração do segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 21 de junho. O pleito confirmou a vitória de Abelardo de la Espriella, candidato do movimento ultraconservador Defensores da Pátria, que obteve 12.959.542 votos (49,6%), contra 12.708.712 votos de Iván Cepeda, representante do governo. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 250 mil votos, menos de um ponto percentual.
O processo eleitoral foi marcado por tensões. No primeiro turno, ocorrido em maio, Espriella liderou com 43,7% e Cepeda somou 40,90%. Naquela etapa, Gustavo Petro questionou a pré-contagem e criticou o software da empresa Thomas Greg & Sons (TGS), alegando uma divergência de 800 mil pessoas no censo eleitoral, o que levou o ex-presidente Iván Duque a acusá-lo de desrespeitar a democracia.
Embora o partido Pacto Histórico tenha mobilizado advogados para tentar impugnar 33 mil mesas eleitorais por supostos erros técnicos, a contestação perdeu força quando o Registrador Nacional da Colômbia informou que o escrutínio oficial divergiu apenas 0,003% das cédulas em relação à apuração preliminar. Diante disso, Iván Cepeda reverteu sua postura inicial e admitiu a derrota em coletiva de imprensa na última quarta-feira (24).
O presidente eleito, Abelardo de la Espriella, de 47 anos e advogado conhecido como "El Tigre", é alinhado a figuras como Donald Trump — que manifestou apoio público à sua campanha e enviou felicitações após o resultado — e Nayib Bukele. Sua plataforma foca na segurança pública, tema prioritário para 40% da população colombiana devido a confrontos entre facções dissidentes das Farc na Amazônia. As propostas de Espriella incluem a suspensão de diálogos com grupos armados, a construção de 10 megaprisões para viabilizar uma ofensiva militar e a saída da Colômbia de organismos como a ONU e a OEA.
Apesar da vitória, o novo governo enfrentará um Congresso fragmentado. As eleições de março indicam que o Pacto Histórico, grupo de Petro e Cepeda, manterá a maior bancada legislativa, o que imporá a necessidade de negociações constantes para a aprovação de projetos a partir de agosto.