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Homem morre após atear fogo ao próprio corpo em protesto próximo à sede da ONU

03 de Julho de 2026 às 06:11

Logba Rangzen morreu após atear fogo ao próprio corpo perto da sede da ONU, em Nova York, na última quinta-feira. O motorista de Uber portava a bandeira do Tibete e reivindicava a independência da região em transmissão ao vivo

Homem morre após atear fogo ao próprio corpo em protesto próximo à sede da ONU
Lobga Rangzen via Facebook/via REUTERS

Um homem morreu após atear fogo ao próprio corpo nas proximidades da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na última quinta-feira (2). O Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) relatou que as equipes de emergência foram acionadas por volta das 18h30 e localizaram a vítima com queimaduras graves. O indivíduo foi levado ao Hospital Bellevue, onde a morte foi confirmada. Embora a polícia mantenha as investigações e não tenha divulgado a identidade do homem, ativistas e veículos de comunicação de tibetanos no exílio o identificaram como Logba Rangzen.

Rangzen, que trabalhava como motorista de Uber, portava uma bandeira do Tibete no momento da ação. De acordo com o canal Voice of Tibet, o ativista realizou uma transmissão ao vivo antes do ato, na qual reivindicava a unidade e a independência da região. Lobsang Paljor, colega de profissão e conhecido de Rangzen em encontros da comunidade tibetana, relatou que o homem demonstrava indignação com as restrições impostas pelo governo chinês aos seus compatriotas. Tencho Gyatso, presidente da Campanha Internacional pelo Tibete, descreveu a vítima como um defensor incansável da causa.

O episódio ocorre em um momento de tensão política, coincidindo com a entrada em vigor de uma nova lei de unidade étnica na China. A legislação estabelece uma identidade nacional compartilhada entre 55 grupos de minorias, incluindo uigures e tibetanos, e concede a Pequim respaldo legal para agir contra cidadãos mesmo fora do território chinês. A medida gerou manifestações de repúdio de comunidades tibetanas globais e preocupação formal dos Estados Unidos e da União Europeia.

A China exerce controle sobre o Tibete desde 1950, definindo a ocupação como uma libertação pacífica de um regime feudal. No entanto, exilados e organizações de direitos humanos denunciam a existência de um regime opressor. Sob a gestão de Xi Jinping, iniciada em 2012, o controle institucional sobre a região foi ampliado, com vigilância rigorosa contra qualquer movimento classificado por Pequim como separatismo.

A autoimolação é uma prática recorrente de protesto contra as políticas chinesas no Tibete e em áreas vizinhas. Dados da Campanha Internacional pelo Tibete indicam que mais de 150 pessoas recorreram a esse método entre 2009 e 2022, sendo que 10 desses casos envolveram cidadãos vivendo no exílio.

Com informações de G1

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