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Hospital na República Democrática do Congo é invadido por jovens que exigiam a entrega de corpos

25 de Maio de 2026 às 06:14

Jovens armados invadiram o Hospital Geral de Mongbwalu, na República Democrática do Congo, no domingo (24), para exigir a entrega de dois corpos. O episódio é o terceiro ataque a centros de saúde em menos de uma semana em região com surto de Ebola. A OMS registrou 82 casos confirmados e sete mortes da doença

Hospital na República Democrática do Congo é invadido por jovens que exigiam a entrega de corpos
Moses Sawasawa / AP

Um novo ataque a uma unidade de saúde ocorreu na noite de domingo (24), no leste da República Democrática do Congo, região epicentro de um surto de Ebola. Jovens invadiram o Hospital Geral de Mongbwalu, forçando a evacuação imediata de pacientes e da equipe médica sob disparos de arma de fogo. O diretor médico da instituição, Richard Lokudu, informou que os agressores exigiam a entrega de dois corpos de parentes. O hospital permanece em alerta máximo, embora não haja confirmação de feridos no episódio.

Este evento marca a terceira incursão violenta contra centros de tratamento em menos de uma semana. No sábado (23), moradores de Mongbwalu, na província de Ituri, incendiaram uma tenda de atendimento da organização Médicos Sem Fronteiras, resultando no desaparecimento de 18 pacientes com suspeita da doença. Anteriormente, na quinta-feira (21), um centro de tratamento na cidade de Rwampara foi queimado após familiares serem impedidos de retirar o corpo de um homem suspeito de ter contraído o vírus.

A instabilidade reflete a tensão entre as comunidades locais e as autoridades sanitárias. Para conter a propagação do vírus, o governo congolês proibiu velórios e aglomerações com mais de 50 pessoas no nordeste do país desde sexta-feira (22), determinando que o sepultamento de vítimas suspeitas seja realizado exclusivamente por agentes oficiais. A medida é necessária porque cadáveres de pacientes com Ebola são altamente contagiosos, especialmente durante rituais fúnebres.

O cenário epidemiológico é agravado pela variante Bundibugyo, uma das cepas mais raras da doença e que, diferentemente da variante Zaire, ainda não possui vacina aprovada. A identificação do surto foi retardada porque os primeiros pacientes testaram negativo para a cepa mais comum. De acordo com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, há 82 casos confirmados e sete mortes, mas a subnotificação é provável.

Os dados oficiais apresentam divergências. O Ministério das Comunicações da República Congolesa reportou, via rede social X, 904 casos suspeitos, concentrados majoritariamente em Ituri. Enquanto o órgão mencionou 119 mortes suspeitas, a soma dos dados regionais indica 220 óbitos. Paralelamente, a OMS monitora 750 casos e 177 mortes suspeitas, aguardando confirmação laboratorial.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho registrou a morte de três voluntários em Mongbwalu. A organização estima que a infecção ocorreu em 27 de março, durante a remoção de corpos em uma missão não relacionada ao Ebola. Caso a data seja confirmada, o cronograma do surto seria antecipado, já que a primeira morte oficial foi registrada apenas no fim de abril, em Bunia.

Diante do quadro, a OMS elevou o nível de risco do surto no Congo de "alto" para "muito alto", embora mantenha a avaliação de que o risco de disseminação global permanece baixo. Jean Kaseya, diretora-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, ressaltou que a superação da crise depende da reconstrução da confiança entre a população e as autoridades, além das intervenções médicas.

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