ICE realiza prisões de imigrantes em eventos de futebol nos Estados Unidos
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos deteu 17 pessoas ligadas ao futebol e efetuou 92.392 prisões em cidades-sede da Copa do Mundo entre janeiro e outubro de 2025. A organização Human Rights Soccer Alliance solicitou que a FIFA restrinja o compartilhamento de dados do público e impeça políticas anti-imigração nos locais dos jogos
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O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) concentrou ações de detenção de imigrantes em eventos de futebol, conforme aponta um relatório da organização Human Rights Soccer Alliance. A ofensiva, iniciada no começo de 2025 sob as diretrizes do presidente Donald Trump, visa comunidades latino-americanas, que possuem maior engajamento com a modalidade do que a população nativa.
Desde o início do ano, 17 pessoas ligadas ao esporte — incluindo atletas, treinadores e familiares — foram detidas, resultando em algumas deportações. Entre os casos documentados, o jogador Emerson Colindres foi deportado para Honduras no dia de sua formatura no ensino médio em Ohio, tendo chegado aos EUA aos 8 anos. Outras prisões ocorreram durante treinos no complexo Pier 40, em Nova York, e na entrada do estádio MetLife, onde um imigrante foi deportado enquanto acompanhava os filhos na final do Mundial de Clubes da FIFA.
A Human Rights Soccer Alliance alerta que as cidades-sede da Copa do Mundo são áreas de alta vulnerabilidade. Dados governamentais citados no documento revelam que, entre 20 de janeiro e 15 de outubro de 2025, o ICE efetuou 92.392 prisões nas localidades que sediarão as partidas, volume superior à média geral.
Diante da ausência de proibições oficiais para prisões em estádios, a ONG solicita que a FIFA impeça a aplicação de políticas anti-imigração nos locais dos jogos e arredores, além de restringir o compartilhamento de dados do público com autoridades migratórias. A entidade recomenda ainda que as equipes não colaborem com o ICE, exceto mediante mandado judicial.
A preocupação com a segurança de estrangeiros levou grupos de defesa dos direitos dos imigrantes a protestarem na sede da FIFA, em Miami, no dia 10. Durante a manifestação, a ativista Yarelíz Méndez Zamora, do Comitê de Serviço dos Amigos Americanos, alertou sobre a ocorrência de discriminação racial, negação de entrada no país e detenções arbitrárias, sugerindo que estrangeiros evitem viajar aos EUA para a Copa. O grupo destacou que as restrições governamentais já afetam profissionais do esporte, como o árbitro somaliano Omar Artan, que teve sua entrada impedida para atuar no torneio.