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Idealizadora do Dia das Mães boicotou a data após a celebração se tornar um motor comercial

10 de Maio de 2026 às 15:10

O Dia das Mães, formalizado nos Estados Unidos no início do século XX por Anna Jarvis e oficializado no Brasil em 1932, é atualmente um pilar do varejo global. No Brasil, a projeção de movimentação para 2026 é de quase R$ 38 bilhões, com a estimativa de 127 milhões de consumidores

Idealizadora do Dia das Mães boicotou a data após a celebração se tornar um motor comercial
Getty Images via BBC

Embora a celebração do Dia das Mães seja difundida globalmente, a data possui raízes distintas que misturam rituais antigos, ativismo social e forte impacto econômico. Nas Américas, a comemoração ocorre majoritariamente no segundo domingo de maio, com exceções em países como El Salvador, Guatemala e México, que celebram a data em dias diferentes.

A origem do costume remonta aos gregos, que realizavam oferendas e rituais para Reia, a mãe de todos os deuses, durante a primavera. Contudo, a formalização moderna da data aconteceu nos Estados Unidos no início do século XX. Anna Jarvis, motivada por uma oração e pelo legado de sua mãe, Ann Reeves Jarvis, iniciou uma campanha em 1905 para instituir o dia. Ann Reeves havia criado, em 1850, na Virgínia Ocidental, um grupo de mulheres dedicado ao cuidado de soldados e à saúde pública durante a Guerra Civil Americana, atividade que ela já denominava "Dia das Mães".

A luta de Anna Jarvis por um reconhecimento oficial enfrentou resistências iniciais, incluindo deboches de políticos que sugeriam a criação de um "Dia da Sogra". A persistência da ativista, que enviava cartas a governantes e celebridades, resultou no reconhecimento do feriado por todos os estados da União em 1911. Três anos depois, o segundo domingo de maio foi oficialmente adotado.

A concretização do desejo de Jarvis, porém, gerou uma reação adversa da própria idealizadora. Ao observar que a data se tornou um motor para o comércio de flores, cartões e chocolates, ela passou a boicotar a celebração. Jarvis considerava a data sua propriedade intelectual e criticava severamente os comerciantes, a quem chamava de aproveitadores e vândalos comerciais. A ativista chegou a protestar contra o aumento de preços em floriculturas e a defender que a homenagem materna deveria ocorrer por meio de cartas manuscritas, rejeitando inclusive tentativas de modernizar o significado do feriado para incluir o impacto social das mães na comunidade.

No Brasil, a oficialização ocorreu em 1932, via decreto do presidente Getúlio Vargas, fundamentado na exaltação das virtudes do amor materno. A consolidação da data no país foi intensificada entre 1964 e 1985, durante o regime militar, período em que houve uma forte influência dos costumes estadunidenses e a valorização do perfil da mulher dedicada exclusivamente aos filhos e à família.

Atualmente, a celebração é um dos pilares do varejo global. Nos Estados Unidos, as vendas relacionadas à data superam US$ 23 bilhões, abrangendo presentes para diversas figuras femininas, como avós, irmãs e madrinhas. No cenário brasileiro, o Dia das Mães é a segunda data mais relevante para o comércio. Projeções da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil indicam que, em 2026, a movimentação nos setores de comércio e serviços deve atingir quase R$ 38 bilhões. A estimativa é que 127 milhões de consumidores realizem compras, com um gasto médio de R$ 294. Os itens de moda, beleza, chocolates e flores, além de experiências como viagens e almoços, lideram as preferências de consumo para presentear mães, esposas e sogras.

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