Imagens da NASA revelam crescimento descontrolado de algas no reservatório de Hartbeespoort na África do Sul
Imagens da NASA registraram manchas verdes de algas e plantas invasoras no reservatório de Hartbeespoort, na África do Sul. A hipereutrofização, causada por fertilizantes vindos do rio Crocodile, gera zonas mortas e a morte de peixes. O problema persiste há quase 50 anos e afeta a saúde pública local
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Imagens capturadas pelo Observatório da Terra da NASA revelaram a presença de extensas manchas verdes na superfície do reservatório de Hartbeespoort, na África do Sul. O registro evidencia um quadro de hipereutrofização, processo caracterizado pelo excesso de nitrogênio e fósforo na água, que transforma o lago artificial em um ambiente propício ao crescimento descontrolado de organismos.
A massa visível na superfície é composta por algas e plantas aquáticas invasoras, como a *Salvinia minima* e a *Pontederia crassipes*. Essas espécies formam camadas densas que impedem a oxigenação das camadas inferiores do reservatório, resultando na criação de "zonas mortas". Nesses locais, a escassez de oxigênio torna o habitat hostil para os peixes, que acabam sufocados.
Esse desequilíbrio ecológico já provocou perdas significativas na fauna local. Relatórios oficiais registraram a morte de centenas de carpas em abril de 2023 devido à queda nos níveis de oxigênio, fenômeno que se repetiu em novembro de 2025, quando peixes foram vistos lutando por ar na superfície.
Localizado a cerca de 40 km de Pretoria e construído na década de 1920, o reservatório enfrenta esse problema ambiental há quase 50 anos. A única interrupção nesse ciclo ocorreu nos anos 90, por meio de um programa de biorremediação que foi posteriormente descontinuado devido aos altos custos de manutenção.
Um estudo de 2022, baseado em dados de quatro décadas, identificou o rio Crocodile como o vetor principal da contaminação. A corrente transporta fertilizantes provenientes de campos de golfe e atividades agrícolas, alimentando o ciclo de nutrientes no lago. Além do impacto na fauna, a situação compromete a saúde pública, exigindo a filtragem de toxinas para a potabilidade da água e causando intoxicações em cães e erupções cutâneas em atletas que utilizam o local.