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Índia dobra tempo de operação de motor de míssil hipersônico em teste terrestre em Hyderabad

12 de Maio de 2026 às 06:21

A Índia testou um motor de míssil hipersônico em Hyderabad, mantendo a combustão por 1.200 segundos. O ensaio da DRDO utilizou um combustor scramjet com resfriamento ativo e revestimento cerâmico. O sistema opera com combustível endotérmico líquido nacional

Índia dobra tempo de operação de motor de míssil hipersônico em teste terrestre em Hyderabad
motor hipersônico

A Índia registrou um avanço em seu programa de armamentos hipersônicos após a conclusão de um teste terrestre em Hyderabad. O ensaio, realizado no último sábado, envolveu um motor de míssil desenvolvido pela Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa (DRDO) e durou 1.200 segundos, quase dobrando a marca de setecentos segundos atingida em janeiro.

O experimento ocorreu nas instalações do Scramjet Connect Pipe Test, onde foi utilizado um combustor scramjet com resfriamento ativo. A ampliação do tempo de operação é fundamental para garantir que a combustão permaneça estável durante voos prolongados em velocidades superiores a cinco vezes a velocidade do som (Mach 5). Esse nível de desempenho, aliado à capacidade de manobra, torna os mísseis de cruzeiro hipersônicos difíceis de serem interceptados pelas redes de defesa aérea globais.

Para viabilizar a operação em fluxos superiores a 1,5 quilômetro por segundo, a DRDO superou o desafio de manter a chama estável e enfrentar temperaturas que excedem o ponto de fusão do aço. A solução envolveu a criação de um revestimento cerâmico com barreira térmica, desenvolvido em conjunto com o Departamento de Ciência e Tecnologia.

O sistema utiliza um combustível endotérmico líquido de fabricação nacional, fruto de uma parceria entre o DRDL e a indústria local. Esse material desempenha um papel duplo: otimiza o resfriamento do motor e facilita a ignição sob condições extremas.

A validação do projeto da câmara de combustão e dos processos de fabricação consolida a posição da Índia em uma corrida tecnológica estratégica, disputada também por potências como Estados Unidos, Rússia e China. A capacidade de atingir alvos distantes com rapidez e precisão altera a dinâmica de operações militares futuras, posicionando o resultado em Hyderabad como um marco para a soberania aeroespacial e bélica indiana.

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