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Indonésia planeja construir muralha marítima de 575 quilômetros para proteger o litoral norte de Java

22 de Maio de 2026 às 06:20

A Indonésia planeja construir uma muralha marítima de 575 quilômetros no litoral norte de Java para proteger 50 milhões de pessoas e ativos de US$ 368,3 bilhões. O projeto, com custo estimado em US$ 80 bilhões, visa mitigar o afundamento do solo e a elevação do nível do mar. A obra será dividida em 15 segmentos e poderá levar até 20 anos para ser concluída

Indonésia planeja construir muralha marítima de 575 quilômetros para proteger o litoral norte de Java
Indonésia acelera muralha marítima de até 575 km para conter avanço do mar, enchentes e afundamento do solo em Java e proteger Jakarta. (Imagem: Ilustrativa)

A Indonésia planeja a construção de uma muralha marítima de 575 quilômetros ao longo do litoral norte de Java para proteger a região contra o avanço do mar, marés altas e o afundamento do solo. O projeto, tratado como prioridade estratégica pelo governo do presidente Prabowo Subianto, visa resguardar a cidade de Jakarta, além de portos, aeroportos, zonas industriais, áreas agrícolas e comunidades costeiras. Com custo estimado em US$ 80 bilhões, a obra busca mitigar riscos causados por chuvas intensas e pela elevação do nível oceânico.

A estrutura, denominada Giant Sea Wall, abrangerá províncias como Banten, Java Ocidental, Java Central e Java Oriental, em uma faixa de alta densidade populacional e industrial. De acordo com o governo, a iniciativa deve proteger cerca de 50 milhões de pessoas e preservar ativos que representam aproximadamente US$ 368,3 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O ministro coordenador de Infraestrutura e Desenvolvimento Regional, Agus Harimurti Yudhoyono, define a obra não apenas como uma barreira física, mas como uma medida essencial para a segurança alimentar e a preservação da economia futura da nação, dado que a erosão e as inundações já afetam campos de cultivo e vias de transporte na planície costeira de Java.

Para viabilizar a execução, a Agência de Autoridade de Gestão da Costa Norte de Java (BOPPJ) dividiu o traçado entre Serang e Gresik em 15 segmentos. Essa organização permite que as obras ocorram em etapas, adaptando-se às características técnicas, sociais e econômicas de cada trecho. O desenvolvimento será conduzido de forma temática, alinhando a infraestrutura às atividades econômicas locais e aos meios de subsistência das comunidades litorâneas.

A urgência do projeto é reforçada por dados técnicos sobre a subsidência, ou afundamento gradual do solo. Um estudo da Columbia Climate School, publicado na revista Science Advances em abril de 2026, revelou que o rebaixamento do terreno no litoral norte de Java supera a elevação do oceano, com taxas de descida que podem chegar a 1,5 metro por década em áreas urbanas. Esse fenômeno, impulsionado pela extração intensiva de água subterrânea e compactação de sedimentos, pode responder por até 85% da elevação relativa do nível do mar até 2050. Em Jakarta, o Banco Mundial já havia alertado que a retirada de água do subsolo e falhas na drenagem agravam a vulnerabilidade da cidade.

O governo indonésio vincula a muralha a uma estratégia maior de adaptação climática, citando o impacto do ciclone Senyar em 2025. O evento, formado no Estreito de Malaca, causou enchentes e deslizamentos que resultaram em quase 1.200 mortos, sendo 969 apenas na ilha de Sumatra. Análises da World Weather Attribution indicaram que o aquecimento global intensificou as chuvas extremas na região.

Apesar da articulação política, o cronograma final de execução e a definição dos 15 segmentos ainda dependem de avaliações de viabilidade técnica, ambiental e social. Organizações da sociedade civil alertam que a obra pode causar danos a manguezais, áreas de pesca e estimular a mineração de areia se não houver controle rigoroso. Devido à escala financeira, o presidente Prabowo convidou investidores estrangeiros para participar do projeto, que poderá levar até 20 anos para ser concluído.

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