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Irã acusa Estados Unidos de violar cessar-fogo após ataques em província ao sul do país

26 de Maio de 2026 às 09:02

O governo do Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo após ataques americanos a posições antiaéreas, lançadores de mísseis e embarcações em Bandar Abbas. O Comando Central dos EUA confirmou a operação de autodefesa, que resultou na eliminação de dois navios da Guarda Revolucionária. O episódio ocorre durante negociações para um acordo de paz definitivo entre as nações

Irã acusa Estados Unidos de violar cessar-fogo após ataques em província ao sul do país
Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA

O governo do Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo vigente após ataques realizados na província de Hormozgan, ao sul do país. Em comunicado emitido nesta terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores iraniano responsabilizou Washington pelas consequências de ações classificadas como agressivas e injustificadas. Relatos da mídia local confirmaram a ocorrência de explosões em Bandar Abbas, cidade que abriga bases estratégicas da força aérea e naval.

O Comando Central dos Estados Unidos (CentCom) confirmou a operação, descrevendo-a como "ataques de autodefesa" de caráter limitado. As forças americanas atingiram posições de defesa antiaérea em Bandar Abbas, além de locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que estariam instalando minas subaquáticas. Informações complementares indicam que duas embarcações da Guarda Revolucionária do Irã foram eliminadas durante a ação.

O episódio ocorre enquanto diplomatas de ambas as nações tentam formalizar um acordo de paz definitivo para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro. O conflito, desencadeado por ofensivas dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, bombardeios iranianos em países vizinhos e instabilidade nos preços globais de energia. Embora um cessar-fogo esteja em vigor desde 8 de abril, o Irã mantém o bloqueio à navegação no Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos preservam o bloqueio aos portos iranianos.

Apesar de sinais recentes de progresso, Teerã afirmou nesta segunda-feira que as partes ainda não chegaram a um consenso. A divergência ficou evidente após o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, sugerir a iminência de um acordo, afirmação negada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã. A volatilidade nas negociações refletiu-se no mercado de petróleo, que registrou queda expressiva após um período de otimismo.

Um dos principais entraves para a paz é a situação no Líbano, onde o Irã exige a interrupção do conflito entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã. Embora Israel e Líbano mantenham um cessar-fogo desde abril, a trégua é instável e marcada por trocas de ataques. Recentemente, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou a intensificação de operações contra o Hezbollah, resultando em novos bombardeios em território libanês, região onde Israel mantém ocupação militar no sul.

Paralelamente, o governo dos Estados Unidos, sob a perspectiva de Donald Trump, sugeriu que a assinatura do acordo de paz com o Irã estaria condicionada à adesão em massa aos Acordos de Abraão, tratados que visam a normalização das relações entre países árabes e o Estado de Israel.

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