Irã adia funeral de Estado do líder supremo Ali Khamenei para meados de junho
O governo do Irã programou um funeral de Estado de três dias para o líder supremo Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro. As cerimônias devem ocorrer em junho, em Teerã, Qom e Mashhad, onde será o sepultamento. O filho do falecido, aiatolá Mojtaba Khamenei, assumiu a sucessão do cargo
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/S/K/VeVpBrQ76gkrA6vIWXKA/2026-05-06t103637z-1717214506-rc2j3lavhijv-rtrmadp-3-iran-crisis-daily-life.jpg)
O governo do Irã anunciou a realização de um funeral de Estado com duração de três dias para o líder supremo Ali Khamenei. A cerimônia, que havia sido programada inicialmente para 4 de março, foi adiada em função do conflito no Oriente Médio, iniciado após ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro, ocasião em que Khamenei foi morto em sua residência, no centro de Teerã.
Tavakolizadeh, representante oficial, indicou que as homenagens podem ocorrer em meados de junho, coincidindo com o início de muharram, o primeiro mês do calendário islâmico. A programação prevê eventos em Teerã — com uma cerimônia de ao menos 24 horas e expectativa de 20 milhões de participantes —, além das cidades sagradas de Qom e Mashhad, local onde o líder será sepultado.
A sucessão do cargo ficou a cargo de seu filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei. O novo líder supremo ainda não realizou aparições públicas e não há informações confirmadas sobre seu estado de saúde.
Ali Khamenei comandou a República Islâmica por quase 37 anos. Nascido em 1939, em Mashhad, consolidou sua formação religiosa e política nos anos 60, atuando contra o regime do xá Mohammad Reza Pahlevi. Teve papel central na Revolução Islâmica de 1979, ao lado de Ruhollah Khomeini. Em 1981, sofreu um atentado a bomba que resultou na paralisia permanente de seu braço direito e, quatro meses depois, foi eleito presidente do Irã com 95% dos votos. Assumiu a liderança suprema após a morte de Khomeini, em 1989, por escolha da Assembleia de Peritos.
Durante sua gestão, Khamenei implementou a criação de estruturas paralelas ao Estado para ampliar seu controle sobre as instituições, como a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), que opera paralelamente aos militares tradicionais. Essa estratégia permitiu a ele dominar a formulação de políticas internas e fomentar o culto à sua própria imagem.
A trajetória do líder foi marcada por uma política de costumes rigorosa e pela repressão violenta a sucessivas ondas de protestos, além de acusações de assassinatos de opositores no exílio e perseguição a intelectuais e jornalistas. No campo financeiro, uma investigação da Reuters em 2018 apontou que Khamenei geria um império de 95 bilhões de dólares, oriundo do confisco de propriedades de cidadãos e minorias, recurso que teria sido utilizado para financiar atividades políticas, embora seu gabinete tenha negado a veracidade da apuração.