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Irã ameaça bloquear Estreito de Ormuz após novos ataques dos Estados Unidos a alvos iranianos

09 de Julho de 2026 às 06:09

Estados Unidos atacaram alvos iranianos na última quarta-feira (8) após ofensivas de Teerã contra navios comerciais. O Irã ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz, rota por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial. A ONU informou que 6 mil marinheiros estão detidos no Golfo Pérsico

Irã ameaça bloquear Estreito de Ormuz após novos ataques dos Estados Unidos a alvos iranianos
Arte/g1

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã trouxe novamente o Estreito de Ormuz ao centro das tensões geopolíticas. Na última quarta-feira (8), o governo americano realizou novos ataques a alvos iranianos, reagindo a ofensivas de Teerã contra embarcações comerciais que transitavam pela região. Em resposta, o Irã ameaçou bloquear a principal rota marítima de transporte de petróleo do planeta, elevando o risco de desabastecimento global.

A importância estratégica do Estreito de Ormuz reside no fato de ser a via de escoamento de aproximadamente 20% de todo o petróleo mundial. Entre o início de 2022 e maio de 2025, o fluxo diário de petróleo bruto, condensado ou combustível pelo local variou entre 17,8 e 20,8 milhões de barris, conforme dados da plataforma Vortexa. O bloqueio dessa via em períodos de conflito gera impactos severos na economia global, enquanto a sinalização de acordos de paz tende a derrubar os preços do combustível, como ocorreu na abertura do pregão da última segunda-feira.

Geograficamente, o estreito conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, desaguando no Mar da Arábia. A região é extremamente estreita, com apenas 33 km de largura em seu ponto mínimo e canais de navegação de somente 3 km em cada direção. Por essa rota, países membros da OPEP, como Irã, Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos, exportam a maior parte de sua produção, com destino principal ao mercado asiático. O Catar, grande exportador de gás natural liquefeito, também depende quase integralmente da passagem por Ormuz.

Diante da instabilidade, Arábia Saudita e Emirados Árabes buscam alternativas logísticas para reduzir a dependência do estreito. Dados da Administração de Informação de Energia dos EUA, de junho de 2024, indicam que existem oleodutos com capacidade ociosa de cerca de 2,6 milhões de barris por dia nesses países, o que permitiria contornar a região.

No campo diplomático e militar, Donald Trump afirmou que as investidas contra o Irã são retaliações e advertiu que novas ofensivas resultarão em respostas ainda mais severas. O chanceler iraniano reagiu às ameaças prometendo ações firmes. Paralelamente, uma agência da ONU condenou a retomada das hostilidades, informando que 6 mil marinheiros encontram-se detidos no Golfo Pérsico.

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