Irã ameaça elevar enriquecimento de urânio para 90% caso Estados Unidos retomem ofensivas militares
O Irã ameaça elevar o enriquecimento de urânio para 90% caso os Estados Unidos retomem ofensivas militares. O país possui 440 kg de urânio a 60%, superando o limite de 20% do Tratado de Proliferação Nuclear. A declaração ocorre diante de um impasse nas negociações de paz entre Teerã e Washington
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O Irã ameaça elevar o nível de enriquecimento de urânio para 90% de pureza, patamar suficiente para a fabricação de ogivas nucleares, caso os Estados Unidos retomem as ofensivas militares. A declaração foi feita nesta terça-feira (12) por um porta-voz do Parlamento iraniano. Atualmente, o país detém cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60% e precisaria de poucas semanas para atingir a nova meta. Ambos os índices superam o limite de 20% estabelecido pelo Tratado de Proliferação Nuclear (TNP) para finalidades civis.
A escalada nas ameaças ocorre enquanto as negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro por Israel e Estados Unidos contra o Irã, enfrentam um novo impasse. O presidente Donald Trump rejeitou a proposta de paz de Teerã, classificando-a como "lixo" e "inaceitável", afirmando que o cessar-fogo, implementado em 8 de abril, está por um fio. Relatos da imprensa norte-americana indicam que Trump considera a retomada de ataques contra o território iraniano.
Apesar das críticas de Washington, o Ministério das Relações Exteriores do Irã reafirmou nesta segunda-feira a legitimidade de sua proposta. O porta-voz Esmail Baghaei defendeu a manutenção do texto, que exige o fim do conflito em todas as frentes — incluindo o embate entre Israel e Hezbollah no Líbano —, a liberação de ativos financeiros congelados em bancos e o levantamento do bloqueio naval e das sanções impostas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) sobre a venda de petróleo, por um período de 30 dias. O governo iraniano também solicita indenizações pelos danos causados pela guerra e a garantia de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz.
No campo nuclear, o plano de Teerã sugere a diluição de parte do urânio enriquecido e a transferência do restante para um terceiro país, com a condição de que o material seja devolvido caso o acordo seja rompido ou abandonado pelos EUA. O Irã aceita suspender o enriquecimento por um prazo inferior aos 20 anos exigidos por Washington, mas recusa a desativação de suas instalações nucleares.
Do lado norte-americano, as exigências iniciais previam o cancelamento total do programa de enriquecimento e a desativação das principais usinas nucleares do Irã. Posteriormente, houve uma flexibilização para a suspensão do programa por duas décadas, proposta que foi rejeitada pelo regime dos aiatolás. Os Estados Unidos também demandam a supervisão internacional do Estreito de Ormuz para evitar novos fechamentos do canal, a imposição de limites à produção de mísseis e a interrupção do financiamento a grupos como Hamas e Hezbollah.
Em contrapartida, Washington oferece a suspensão de sanções para aliviar a crise econômica iraniana. O cenário de incerteza e a paralisia nas negociações provocaram nova alta nos preços do petróleo nesta segunda-feira.