Irã ameaça Israel após decisão de manter tropas no sul do Líbano
O Irã ameaçou Israel após o governo israelense declarar a permanência de suas tropas no sul do Líbano. A decisão gera impasse entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump durante a vigência de um cessar-fogo com o Hezbollah
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O Irã reagiu com ameaças a Israel nesta quinta-feira (25), após o governo israelense declarar que não pretende retirar suas tropas do sul do Líbano. A posição foi reafirmada pelo ministro da Defesa de Israel na quarta-feira (24), que assegurou a permanência dos militares na região mesmo diante de eventuais exigências dos Estados Unidos.
A decisão representa um embate direto entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que publicou em suas redes sociais que não se renderia, e o presidente Donald Trump, crítico das ofensivas israelenses em território libanês. O impasse ocorre enquanto vigora, teoricamente, um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah — grupo apoiado por Teerã. A retirada total da ocupação e o fim dos bombardeios são condições exigidas pelo Irã em um acordo firmado com Washington.
A tensão é alimentada por divergências sobre a movimentação de tropas na fronteira. Embora um funcionário do Departamento de Estado dos EUA tenha sugerido que Israel teria abandonado parte da zona-tampão — área de segurança de aproximadamente 10 km — como gesto de boa vontade, autoridades de Israel e do Líbano negaram a informação.
Atualmente, os dois países discutem, com apoio norte-americano, um projeto piloto para transferir o controle de trechos do sul do Líbano das forças israelenses para o Exército libanês, mas ainda não há consenso.
O cenário de instabilidade foi marcado, na terça-feira (23), por um ataque de militares israelenses em Nabatieh que resultou na morte de duas pessoas. O Exército de Israel justificou a ação alegando a neutralização de terroristas que ameaçavam seus soldados. O episódio foi classificado pelo Hezbollah como uma violação da trégua, sendo o primeiro ataque reivindicado por Israel desde domingo e a primeira fatalidade envolvendo tropas israelenses no país em três dias.
A resposta iraniana foi transmitida por Esmaeil Qaani, chefe da Força Quds, unidade da Guarda Revolucionária responsável por operações de inteligência e ações militares secretas no exterior.