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Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz em resposta a ações de Israel no Líbano

20 de Junho de 2026 às 15:08

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz neste sábado (20) em resposta a ações de Israel no Líbano e a violações dos Estados Unidos. A medida ocorre após um acordo provisório entre Donald Trump e Masoud Pezeshkian para encerrar o conflito entre os dois países

Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz em resposta a ações de Israel no Líbano
Reuters/Stringer

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou, neste sábado (20), o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás. A medida, que inclui alertas para que embarcações não se aproximem da região sob risco de segurança, ocorre como resposta a ações de Israel no Líbano e a supostas violações dos Estados Unidos em relação a compromissos de cessar-fogo no Oriente Médio.

O bloqueio da passagem marítima surge em um momento de fragilidade diplomática, dias após o presidente Donald Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinarem, na última quarta-feira (17), um acordo provisório para encerrar o conflito entre os dois países, que já dura quase quatro meses. O pacto prevê a flexibilização de sanções a Teerã, a liberação de ativos bilionários, autorizações para exportação de petróleo iraniano e a criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões.

Apesar da tensão, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou não haver evidências do bloqueio do estreito e demonstrou confiança na manutenção do cessar-fogo baseado em um acordo de 14 pontos. Vance deve viajar em breve para a Suíça, onde os negociadores Jared Kushner e Steve Witkoff já tratam de questões técnicas. O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que sua equipe de negociação também partiria para o território suíço neste sábado.

O cenário é agravado pela instabilidade no Líbano, onde a interrupção dos combates é condição essencial para que EUA e Irã iniciem 60 dias de discussões sobre o programa nuclear iraniano. No entanto, novos ataques israelenses neste sábado causaram a morte de 16 pessoas, incluindo uma família inteira em um prédio residencial na cidade de Barish e um soldado libanês. A Defesa Civil e a Agência Nacional de Notícias do Líbano relataram bombardeios de drones e aviões em áreas do Vale do Bekaa e no sul do país, redutos do Hezbollah.

Israel justificou as operações como resposta a mais de 50 projéteis disparados pelo Hezbollah durante a noite. O Exército israelense declarou seguir comprometido com a trégua, mas afirmou que continuará agindo contra ameaças. Por sua vez, o Hezbollah informou ter combatido tentativas de infiltração israelense na colina de Ali al-Taher e reiterou que não permitirá a livre movimentação de Israel em território libanês.

Israel, que não integra o acordo entre Washington e Teerã, mantém a posição de que permanecerá nas áreas ocupadas do Líbano para remover ameaças. O conflito na região, iniciado após ataques do Hezbollah a Israel em meio à guerra entre EUA, Israel e Irã, já resultou em 3.912 mortes no Líbano desde 2 de março, segundo o Ministério da Saúde local. Do lado israelense, foram confirmadas 32 mortes de soldados e quatro de civis.

No total, a guerra envolvendo o Irã já causou ao menos 8 mil mortes, concentradas principalmente no Líbano e no Irã, impactando a economia global com a alta nos preços de energia e a pressão inflacionária. As negociações diplomáticas seguem sob sigilo no resort de Buergenstock, nos Alpes suíços, ambiente disponibilizado pelo governo da Suíça para facilitar o diálogo.

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