Irã ataca alvos dos Estados Unidos em três países após bombardeios norte-americanos em seu território
O Irã atacou alvos dos Estados Unidos na Jordânia, Kuwait, Omã e Catar neste domingo (12), em resposta a bombardeios norte-americanos. A ofensiva resultou em três feridos no Catar e no desaparecimento de um tripulante de um navio em Omã. A ação ocorreu após os EUA atingirem 140 alvos militares iranianos no sábado (11)
O Irã intensificou a ofensiva militar no Golfo Pérsico neste domingo (12), atingindo alvos ligados aos Estados Unidos em três países da região. A ação ocorreu como resposta a bombardeios norte-americanos contra território iraniano e foi acompanhada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, onde a Guarda Revolucionária disparou tiros de advertência contra embarcações.
A operação iraniana destruiu um centro de comando e controle e hangares de drones na Jordânia, além de atingir um radar americano no Kuwait. Em Omã, foram alvejadas plataformas de apoio e reabastecimento de porta-aviões dos EUA, enquanto no Catar a ofensiva eliminou uma instalação de comando e um centro de manutenção de jatos.
No Catar, a interceptação de mísseis resultou em três feridos por estilhaços, incluindo uma criança, e o governo local classificou a ação como uma grave escalada. Na Jordânia, três mísseis causaram danos materiais leves, sem vítimas. Já nos Emirados Árabes Unidos, sistemas de defesa interceptaram drones e mísseis, embora as autoridades tenham confirmado que as ameaças estavam fora de suas fronteiras. No Bahrein, sirenes de alerta foram acionadas.
A instabilidade marítima resultou em um incêndio a bordo do navio GFS Galaxy, a 17 km a leste da Península de Musandam, em Omã. Vinte e três tripulantes foram resgatados, mas um membro da equipe permanece desaparecido.
O ciclo de ataques foi precedido por uma ofensiva dos Estados Unidos no sábado (11), quando o Comando Central atingiu 140 alvos militares iranianos — parte de um total de mais de 300 alvos bombardeados em três noites. O objetivo norte-americano era neutralizar a capacidade do Irã de atacar navios civis e comerciais no Estreito de Ormuz. A mídia estatal do Irã reportou explosões nas cidades de Bandar Abbas, Sirik e Jask, na ilha de Qeshm e na província do Khuzistão, confirmando a morte de um soldado.
O cenário de conflito ocorre em meio ao colapso de tentativas diplomáticas. Embora Irã, Omã e Catar tenham negociado a gestão do tráfego e a segurança da navegação no Estreito de Ormuz no último sábado, a tensão escalou. Um memorando de entendimento e um cessar-fogo assinado entre Washington e Teerã em 17 de junho, com prazo de 60 dias para solução definitiva, foi invalidado por declarações do presidente Donald Trump, que afirmou, desde o dia 8, que o acordo acabou.
A deterioração das relações foi agravada em 7 de junho, quando os EUA bombardearam alvos no Irã após a acusação de ataques a três navios comerciais. No campo político, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que a vingança é inevitável, logo após o funeral de seu pai, Ali Khamenei, morto por forças dos EUA e Israel. Em contrapartida, Donald Trump prometeu a destruição completa de regiões iranianas após acusar o regime de conspirar para assassiná-lo.
Diante do impasse, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, atuando como mediador, solicitou moderação a ambos os governos.