Irã ataca bases militares dos Estados Unidos em quatro países após bombardeios em seu território
Irã e Estados Unidos trocam bombardeios diários após o fim de um acordo de paz. Teerã reportou 38 mortos e 400 feridos em ataques norte-americanos, enquanto retaliações iranianas atingiram bases militares dos EUA na Jordânia, Catar, Kuwait e Síria
O Irã e os Estados Unidos entraram em uma nova fase de escalada militar, com trocas de bombardeios diários que já duram quase uma semana. O conflito ocorre após o colapso de um acordo de paz preliminar assinado em junho, encerrando um período de cessar-fogo que havia sido estabelecido desde o final de fevereiro.
Nesta sexta-feira (17), Teerã acusou Washington de bombardear infraestruturas civis e vitais no sul do território iraniano. De acordo com o governo do Irã, as ofensivas norte-americanas resultaram em 38 mortos e mais de 400 feridos desde o dia 22 de junho. Imagens divulgadas por agências estatais mostraram a destruição de pontes na cidade costeira de Bandar Khamir, próxima a Bandar Abbas, onde a agência Irna confirmou a morte de sete pessoas.
Retaliações em bases estrangeiras
Em resposta, o braço armado do Irã lançou ataques aéreos contra bases e aeronaves militares dos EUA em quatro países:
- Jordânia: O uso de drones e mísseis balísticos contra a base de Al Azraq teria destruído jatos de guerra e danificado severamente outras aeronaves.
- Catar: Um "ataque pesado" e surpresa na base aérea de Al Udeid resultou na destruição total de um sistema de radar de longo alcance e de aeronaves estratégicas de reabastecimento.
- Kuwait: A Guarda Revolucionária afirmou ter atingido depósitos de armamentos e sistemas de defesa aérea, provocando um grande incêndio em base norte-americana.
- Síria: Teerã bombardeou um centro de comando de operações especiais em al-Tanf, justificando a ação como resposta a um ataque anterior dos EUA que matou soldados iranianos em Iranshahr. No entanto, uma fonte do governo sírio negou a ocorrência deste ataque.
Impactos regionais e diplomáticos
A instabilidade afeta diversos países do Golfo Pérsico que abrigam forças dos EUA, como Omã, Bahrein, Catar, Jordânia e Kuwait, que reportam interceptações diárias de mísseis disparados pelo Irã. No Kuwait, o governo denunciou que o bombardeio iraniano atingiu uma usina de dessalinização de água e de energia, comprometendo a rede elétrica nacional.
No plano diplomático, o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, condenou as ações dos Estados Unidos contra alvos civis e classificou a conduta de Washington como crimes de guerra. Até o momento, a Casa Branca e o Exército dos EUA não emitiram pronunciamentos oficiais sobre as retaliações iranianas.