Irã ataca bases militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein neste domingo
O Irã lançou mísseis e drones contra bases dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein neste domingo (28). A Guarda Revolucionária confirmou a operação, enquanto o governo americano relatou a ausência de vítimas ou danos significativos. No Bahrein, um prédio residencial foi atingido, sem feridos
O Irã lançou mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos localizadas no Kuwait e no Bahrein na manhã deste domingo (28). A ofensiva ocorre após o presidente Donald Trump ameaçar remover a liderança iraniana caso o acordo provisório para o fim da guerra não fosse respeitado. A Guarda Revolucionária do Irã confirmou as operações, enquanto o governo americano informou que não houve vítimas ou danos significativos nas instalações.
As hostilidades, que já duram três dias, intensificaram-se após um novo ataque dos EUA, ocorrido horas depois de um petroleiro ser atingido no Estreito de Ormuz. O conflito na região teve início na quinta-feira, quando a República Islâmica atacou outra embarcação na mesma hidrovia, sob a acusação de que o navio utilizava uma rota não autorizada.
No Kuwait, as defesas aéreas interceptaram dois mísseis balísticos. No Bahrein, um segundo ataque atingiu um prédio residencial na província de Muharraq, sem deixar feridos. Em resposta, o governo bahreinita solicitou ao Conselho de Segurança da ONU a convocação de uma sessão urgente para a responsabilização de Teerã.
A Guarda Revolucionária, força de elite subordinada ao líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, acusou Washington de violar o cessar-fogo. A organização alertou para a possibilidade de interrupção total dos processos diplomáticos e prometeu intensificar os ataques contra bases americanas na região.
O cenário de instabilidade ameaça um acordo de paz provisório de 14 pontos, que previa a interrupção dos combates e a reabertura do Estreito de Ormuz em troca da flexibilização de sanções americanas contra o Irã. A via, por onde circula 20% do petróleo e do gás mundial, havia sido fechada por Teerã, impactando a economia global. Com a trégua, centenas de navios retidos começaram a partir nas últimas duas semanas, estabilizando os preços do petróleo.
A disputa agora centraliza-se no controle do tráfego marítimo. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, defende que a administração do estreito cabe exclusivamente a Teerã, que busca direcionar os navios por uma rota ao norte, sob seu controle e com a cobrança de taxas. Já os Estados Unidos e países árabes do Golfo rejeitam a medida, considerando a região uma via internacional, e promovem uma rota alternativa ao sul, pela costa de Omã.
Paralelamente, a tensão no Oriente Médio é agravada por novos confrontos entre Israel e o Hezbollah, no Líbano. Israel anunciou ataques contra militantes da milícia xiita neste domingo, um dia após assinar um acordo de desescalada que previa a retirada gradual de tropas israelenses do sul do Líbano em troca do desarmamento do grupo. O Hezbollah, aliado do Irã, rejeita os termos e exige a retirada incondicional de Israel, que invadiu a região em março.
O governo iraniano vincula o cessar-fogo no Líbano ao acordo provisório com os EUA, exigindo que Washington interrompa as operações israelenses. O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou os ataques do Irã ao Kuwait e ao Bahrein como sabotagens às tentativas de paz no Líbano, onde o conflito já resultou em mais de 4 mil mortes e um milhão de deslocados.