Irã avalia como baixa a probabilidade de retorno generalizado das hostilidades com os Estados Unidos
O governo do Irã considera baixa a chance de retomada generalizada de conflitos com os Estados Unidos, apesar de ataques recentes e do bloqueio naval americano. Teerã e Washington mantêm negociações mediadas pelo Paquistão, enquanto o Irã elabora um projeto de 14 pontos para encerrar a guerra
O governo do Irã avalia como baixa a probabilidade de um retorno generalizado das hostilidades com os Estados Unidos, apesar da continuidade de ataques americanos e de um clima de tensão crescente. A posição, manifestada nesta quarta-feira (27), ocorre enquanto Teerã e Washington mantêm negociações mediadas pelo Paquistão para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro, quando ofensivas dos EUA e de Israel contra o território iraniano desencadearam uma crise energética global e a expansão da guerra por diversas frentes no Oriente Médio.
Apesar da retórica de contenção, o cenário é de alerta militar. Mohamad Akbarzadeh, vice-chefe político da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, afirmou que as Forças Armadas estão mobilizadas e prometeu transformar a região costeira entre Chabahar e Mahshahr em um "cemitério" para eventuais agressores. Essa declaração surge após o Irã acusar Washington de violar o cessar-fogo vigente desde abril, classificando as recentes incursões como as mais graves desde o início da trégua.
A escalada recente inclui a derrubada de um drone americano e disparos contra um caça F-35, além de explosões relatadas na cidade portuária de Bandar Abbas, próxima ao Estreito de Ormuz. Em contrapartida, o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), justificou novos ataques no sul do Irã como medidas de legítima defesa para proteger tropas americanas.
O impasse estratégico concentra-se em pontos críticos como o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz. Atualmente, o Irã mantém a rota marítima — vital para o comércio global de gás e petróleo — fechada, enquanto os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos. Mesmo diante do bloqueio, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, defendeu a reabertura do Estreito e afirmou que um acordo de paz permanece possível.
No plano político, o Ministério da Inteligência iraniano sustenta que os Estados Unidos e Israel buscam a fragmentação e a queda da República Islâmica. Paralelamente, o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Jamenei, utilizou a festividade de Eid al-Adha para argumentar que Washington perde influência na região, instando os países vizinhos a removerem bases militares americanas.
A crise se estende ao Líbano, onde Israel intensificou operações terrestres e realizou ataques na última terça-feira que resultaram em 31 mortos, incluindo quatro crianças, segundo o Ministério da Saúde local. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu a destruição do Hezbollah, grupo que iniciou os combates contra Israel em março. O Irã condicionou qualquer acordo de paz com os EUA à aplicação de termos semelhantes ao Líbano, onde a trégua de 17 de abril não interrompeu os confrontos.
No campo diplomático, o governo iraniano trabalha na finalização de um projeto de 14 pontos para encerrar a guerra. Como parte desses esforços, uma delegação de alto escalão de Teerã retornou, na terça-feira, de uma visita de dois dias ao Catar.