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Irã avalia elevar enriquecimento de urânio para 90% caso Estados Unidos retomem ofensivas

15 de Maio de 2026 às 06:12

Donald Trump pressionou o Irã por um acordo, enquanto o Parlamento iraniano avalia elevar o enriquecimento de urânio para 90% caso haja novas ofensivas dos EUA. O conflito já custou US$ 29 bilhões aos cofres americanos, com previsão de aumento do orçamento militar para US$ 1,5 trilhão em 2027

Irã avalia elevar enriquecimento de urânio para 90% caso Estados Unidos retomem ofensivas
Brendan Smialowski / Pool / AFP

Donald Trump alertou que sua paciência com o Irã está chegando ao fim, pressionando Teerã a firmar um acordo com Washington. Em entrevista à Fox News na última quinta-feira (14), o presidente norte-americano afirmou que os líderes iranianos são razoáveis e sugeriu que Xi Jinping, presidente da China, possui a capacidade de influenciar o país no processo de negociação. Sobre o estoque de urânio enriquecido do Irã, Trump mencionou que, embora o material possa ser enterrado, ele prefere recebê-lo, classificando tal ação como um gesto de relações públicas.

A tensão ocorre em um momento em que o cessar-fogo entre as duas nações, vigente há mais de um mês, é considerado instável. Na segunda-feira (11), Trump descreveu a proposta mais recente do Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio como "lixo" e "estúpida". Em resposta, o Parlamento iraniano informou nesta terça-feira (12) que avalia a possibilidade de elevar o enriquecimento de urânio para 90% de pureza — nível necessário para a produção de ogivas nucleares — caso os Estados Unidos retomem as ofensivas.

No campo financeiro, o conflito já gerou um custo de US$ 29 bilhões (aproximadamente R$ 142 bilhões) aos cofres dos Estados Unidos. O dado foi divulgado nesta terça-feira (12) por Jules Hurst, controlador do orçamento do confronto, em depoimento a legisladores. O montante, que engloba custos operacionais, substituição de equipamentos e reparos, é US$ 4 bilhões superior ao valor divulgado há menos de duas semanas pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth.

A gestão Trump planeja elevar o orçamento das Forças Armadas para US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 7,5 trilhões) em 2027, com foco na aquisição de navios de guerra, sistemas de defesa antimísseis e drones. Durante sabatina no Congresso em 29 de abril, Hegseth defendeu a necessidade de um Exército que intimide adversários e rejeitou a tese de que a guerra tenha se tornado um "atoleiro", apesar das críticas de parlamentares democratas e republicanos sobre a duração do conflito.

Internamente, o governo enfrenta resistência no Legislativo. Congressistas acusam a Casa Branca de ter iniciado o conflito sem consultar o Parlamento. Embora tenham sido propostas resoluções para restringir os poderes presidenciais na condução da guerra, as medidas não foram aprovadas.

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