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Irã comprometeu 20 instalações militares dos Estados Unidos em oito países do Oriente Médio

02 de Junho de 2026 às 06:12

O Irã atingiu entre 20 e 28 instalações militares dos Estados Unidos em oito países do Oriente Médio desde fevereiro. Os ataques causaram prejuízos a radares, aviões e três baterias do sistema Thaad, enquanto o Pentágono reportou danos a 42 aeronaves na Operação Epic Fury

Irã comprometeu 20 instalações militares dos Estados Unidos em oito países do Oriente Médio
BBC

Análises de imagens de satélite e vídeos revelam que o Irã comprometeu 20 instalações militares dos Estados Unidos desde o início do conflito, indicando que a extensão dos danos foi superior ao admitido publicamente pelo governo americano. As ofensivas, iniciadas no fim de fevereiro, atingiram bases estratégicas e complexos compartilhados em oito países do Oriente Médio: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Iraque, Jordânia, Bahrain e Omã. Estimativas alternativas sugerem que o número de bases atingidas pode chegar a 28.

Os ataques iranianos resultaram em prejuízos milionários a radares, aviões de reabastecimento e sistemas de defesa aérea. Entre as perdas mais significativas estão três baterias do sistema antimísseis Thaad, localizadas nas bases aéreas de Al Sader e Al Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos, e na base Muwaffaq Salti, na Jordânia. Cada unidade desse sistema, cujo custo de produção é de aproximadamente US$ 1 bilhão, exige cerca de 100 militares para operação, enquanto cada míssil interceptor disparado custa cerca de US$ 12,7 milhões. Devido à alta complexidade técnica, essas baterias não podem ser substituídas de maneira rápida ou simples.

Na Arábia Saudita, a base aérea Prince Sultan sofreu danos em aeronaves de vigilância e reabastecimento, incluindo um modelo E-3 Sentry, cuja substituição pode chegar a US$ 700 milhões. No Kuwait, as bases Ali Al Salem e o Campo Arifjan registraram a destruição de depósitos de combustível, hangares, alojamentos e equipamentos de comunicação via satélite.

Essas ações ocorreram como resposta aos bombardeios dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e o Líbano nos últimos três meses. Em contrapartida, o Pentágono informou ter atingido mais de 13 mil alvos iranianos durante a Operação Epic Fury. O custo total dessa operação foi estimado em US$ 29 bilhões em maio, valor destinado majoritariamente à reparação e substituição de equipamentos. O relatório detalha a perda ou dano de ao menos 42 aeronaves — incluindo caças F-15 e F-35, um avião de ataque A-10 e 24 drones MQ-9 Reaper.

A estratégia militar do Irã evoluiu durante a guerra, substituindo grandes ondas de mísseis contra cidades por ataques menores, precisos e direcionados, utilizando drones de baixo custo e fácil reposição. Essa mudança tática teria explorado a confiança excessiva dos militares americanos, que mantiveram aeronaves vulneráveis ao alcance de drones e mísseis, mesmo após ataques prévios em bases como a de Prince Sultan.

Enquanto a Casa Branca sustentava que as forças iranianas haviam sido praticamente destruídas, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Oriente Médio deixou de ser um lugar seguro para as bases dos EUA, declarando que a região não servirá mais de escudo para as instalações americanas.

Diante do cenário, os Estados Unidos solicitaram à empresa Planet a suspensão da divulgação de imagens de satélite do Irã e do Oriente Médio por tempo indeterminado, sob a justificativa de evitar que adversários utilizassem o material para atacar aliados da Otan. No entanto, o mapeamento dos danos foi possível através de outros provedores internacionais e registros anteriores.

O Departamento de Defesa dos EUA declinou comentar as evidências dos danos citando segurança operacional. Atualmente, o frágil cessar-fogo entre as nações apresenta sinais de desgaste, com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã reportando ataques a bases americanas após novos bombardeios dos EUA ao sul do território iraniano. A vulnerabilidade das instalações no Golfo persiste, agravada pelo consumo acelerado dos estoques de defesa aérea dos Estados Unidos e seus parceiros regionais.

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