Irã e Estados Unidos divergem sobre a aceitação de vistorias em instalações nucleares iranianas
Irã e Estados Unidos divergem sobre a aceitação de vistorias em instalações nucleares iranianas em negociações na Suíça. Donald Trump afirma que Teerã concordou com as inspeções, enquanto o governo iraniano nega o compromisso. A Casa Branca condiciona a abertura do Estreito de Ormuz a essa concessão
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/d/3/KNBAKLQiAFjKjYst4Ebg/2025-06-13t070750z-957636081-rc20tcac2s1v-rtrmadp-3-iran-nuclear-sites-1-1-.jpg)
O Irã e os Estados Unidos divergem sobre a aceitação de vistorias em instalações nucleares iranianas, ponto central de negociações ocorridas recentemente na Suíça. Enquanto o governo de Teerã nega ter concordado com as inspeções, o presidente Donald Trump afirma que a concessão foi feita durante a primeira rodada de conversas pós-acordo e ameaça encerrar as tratativas de paz caso a posição mude.
A Casa Branca vincula a manutenção da abertura do Estreito de Ormuz a esse compromisso, alegando que o levantamento do bloqueio naval realizado pela Marinha dos EUA foi condicionado à aceitação das vistorias e a outras concessões iranianas. Essa versão é corroborada pelo vice-presidente J.D. Vance, que também declarou que Teerã teria consentido com a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Em contrapartida, o Ministério das Relações Exteriores do Irã, por meio do porta-voz Esmaeil Baghaei, negou a realização de reuniões com a AIEA na Suíça e descartou a permissão para que o órgão da ONU inspecione usinas danificadas durante o conflito com os Estados Unidos. Baghaei argumentou a inexistência de protocolos para tais vistorias, embora tenha reiterado que o país mantém suas obrigações no Tratado de Não Proliferação Nuclear e no acordo de salvaguardas com a AIEA.
O governo iraniano defende que a pauta nuclear deve ser discutida apenas após o alinhamento de outras cláusulas entre as duas nações, ressaltando que o programa de mísseis e as capacidades defensivas de Teerã não são negociáveis. A questão nuclear, que envolve a diluição de material radioativo e a fiscalização de usinas, permanece como um dos pontos mais críticos do período pós-guerra. Ambos os países haviam estabelecido um prazo de 60 dias, com o apoio de mediadores, para solucionar essas pendências e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Paralelamente, a diplomacia iraniana manifestou preocupação com a instabilidade no Líbano. O embaixador do Irã na ONU em Genebra, Ali Bahreini, classificou novos ataques de Israel contra o Hezbollah como uma "linha vermelha". A declaração ocorreu após a Defesa Civil e a mídia estatal libanesas confirmarem a morte de duas pessoas no sul do Líbano por disparos de tropas israelenses, as primeiras fatalidades atribuídas a Israel em três dias. Bahreini alertou que qualquer violação da trégua no Líbano poderá comprometer as negociações para uma paz definitiva.