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Irã e Paquistão intensificam movimentações diplomáticas em Teerã para mitigar as tensões regionais

23 de Maio de 2026 às 09:03

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, e o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, reuniram-se em Teerã neste sábado (23) para tratar de tensões regionais. O Paquistão e o Catar atuam como intermediários entre o Irã e os Estados Unidos após a rejeição americana a uma proposta de paz

Irã e Paquistão intensificam movimentações diplomáticas em Teerã para mitigar as tensões regionais
Reprodução/IRNA

O Irã e o Paquistão intensificaram as movimentações diplomáticas em Teerã para tentar mitigar as tensões regionais. O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Qalibaf, reuniu-se neste sábado (23) com o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir. Durante o encontro, Qalibaf defendeu a manutenção dos direitos nacionais e afirmou que as forças armadas do Irã recuperaram suas capacidades operacionais durante o período de cessar-fogo.

A agenda de Munir no Irã incluiu, na sexta-feira (22), uma reunião com o presidente Masoud Pezeshkian e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. O Paquistão tem desempenhado o papel de intermediário entre Teerã e Washington desde o início do conflito, facilitando a troca de mensagens e a organização de encontros. Paralelamente, uma comitiva de negociação do Catar chegou à capital iraniana na sexta-feira, atuando em coordenação com os Estados Unidos.

Essas tentativas de diálogo ocorrem após os Estados Unidos rejeitarem, em 18 de maio, uma proposta iraniana para o encerramento da guerra no Oriente Médio, enviada via mediação paquistanesa. O governo de Donald Trump considerou os termos insuficientes e, na mesma semana, ameaçou retomar ofensivas militares contra o território iraniano e cancelar o cessar-fogo vigente caso não haja um acordo de paz definitivo ou se o Irã mantiver o controle do Estreito de Ormuz. Como contrapartida, Teerã iniciou uma campanha para armar a população em diversas frentes.

O cenário de instabilidade foi agravado por uma ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, que atingiu instalações nucleares e bases militares. A operação resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei e de outras figuras do alto escalão, gerando uma crise de sucessão no poder em Teerã. Washington e Tel Aviv justificam a ação como necessária para limitar a capacidade de mísseis e o programa nuclear iraniano, enquanto o governo do Irã nega a busca por armamentos nucleares e promete retaliação.

O conflito impactou a economia global ao provocar a alta nos preços do petróleo, reflexo do fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde transita aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo. Após o início dos ataques, os Estados Unidos e Israel implementaram uma nova fase de combate, com foco em estruturas do regime e sistemas de mísseis iranianos.

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