Irã envia contraproposta aos Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio
O Irã enviou aos Estados Unidos, via Paquistão, uma contraproposta para cessar hostilidades no Oriente Médio e garantir a segurança marítima no Golfo e no Estreito de Ormuz. Paralelamente, países do Golfo interceptaram drones iranianos e o parlamento de Teerã discute leis para controlar a passagem de navios no estreito. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, impactou os preços globais de energia e a estabilidade da navegação regional
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O Irã encaminhou ao governo dos Estados Unidos, via Paquistão, uma contraproposta para encerrar o conflito no Oriente Médio. De acordo com a agência estatal iraniana, a resposta de Teerã prioriza a interrupção das hostilidades e a garantia da segurança marítima no Golfo e no Estreito de Ormuz. As negociações atuais buscam a redação de um memorando temporário para cessar os confrontos e assegurar o tráfego no estreito, enquanto discussões mais amplas avançam sobre temas complexos, como o programa nuclear do país.
Apesar da tentativa de diálogo e de um cessar-fogo estabelecido em 8 de abril, a tensão voltou a subir neste domingo (10) com a detecção de drones hostis em diversos países do Golfo. Os Emirados Árabes Unidos interceptaram duas aeronaves remotas vindas do Irã, e o Kuwait também reportou a interceptação de drones em seu espaço aéreo. O Catar condenou um ataque de drone contra um cargueiro em suas águas.
Nesse cenário, o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, alertou o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, que a utilização do Estreito de Ormuz como instrumento de pressão agravaria a crise, defendendo a preservação da liberdade de navegação. O chanceler da Turquia também manteve contato com Araqchi. Em contrapartida, parlamentares iranianos trabalham em um projeto de lei para formalizar o controle de Teerã sobre o estreito, prevendo restrições à passagem de navios de nações consideradas hostis. Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, advertiu os EUA contra ataques a embarcações iranianas na região.
Mesmo com a instabilidade, houve movimentações marítimas relevantes. O navio Al Kharaitiyat, da QatarEnergy, transportando gás natural liquefeito, atravessou o estreito em direção ao Paquistão — a primeira embarcação catariana a realizar esse trajeto desde o início do conflito. Um navio graneleiro com bandeira do Panamá e destino ao Brasil também cruzou a região seguindo rota indicada pelas Forças Armadas iranianas.
A guerra teve início em 28 de fevereiro, após ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã, resultando em represálias iranianas e no bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, via crucial para o petróleo e gás globais. O conflito causou milhares de mortes, especialmente no Líbano e no Irã, e elevou os preços da energia mundialmente.
Diante da crise energética, o presidente Donald Trump sofre pressão para conter a guerra, especialmente com uma viagem agendada à China para esta semana. No plano diplomático, Washington enfrenta dificuldades com aliados da OTAN, que recusaram enviar navios à região sem um acordo de paz definitivo e uma missão internacional formal. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, criticou a falta de apoio dos aliados após reunião com a premiê italiana, Giorgia Meloni. A Grã-Bretanha, contudo, anunciou no sábado o envio de um navio de guerra para preparar uma possível missão multinacional de segurança marítima.