Irã fecha Estreito de Ormuz após nova onda de bombardeios dos Estados Unidos em seu território
Os Estados Unidos bombardearam radares, sistemas de defesa aérea e unidades de drones no sul do Irã na quarta-feira (10). Em resposta, Teerã fechou o Estreito de Ormuz, atacou navios e realizou ofensivas contra a Quinta Frota dos EUA no Bahrein. O governo iraniano afirmou que a ação anula o cessar-fogo vigente desde abril
O governo do Irã condenou a nova onda de bombardeios dos Estados Unidos contra seu território, ocorrida na noite de quarta-feira (10), e afirmou que as ofensivas anularam, na prática, o cessar-fogo estabelecido há quase dois meses. O Ministério das Relações Exteriores iraniano atribuiu aos líderes norte-americanos a responsabilidade pelas consequências do que classificou como um ato criminoso.
A operação militar dos EUA, confirmada pelo Comando Central do Exército norte-americano, concentrou-se no sul do Irã. De acordo com autoridades dos Estados Unidos, os alvos atingidos incluíram radares, sistemas de defesa aérea e unidades de comando e controle de drones. Explosões foram registradas nas cidades portuárias de Bandar Abbas, Minab, Kargan e Sirik, na região do Estreito de Ormuz, enquanto defesas aéreas foram acionadas em Isfahan.
Em resposta, Teerã declarou o fechamento do Estreito de Ormuz para qualquer embarcação e atacou dois navios que estariam violando o bloqueio. A agência de notícias Tasnim reportou a morte de três marinheiros em um incidente próximo ao porto de Shinas, em Omã, situação que está sendo acompanhada pela embaixada da Índia no país. Além disso, a agência Mehr mencionou a ocorrência de combates navais entre as forças dos dois países.
A escalada militar incluiu ataques retaliatórios da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) contra a Quinta Frota dos EUA, sediada no Bahrein. Em Manama, capital barenita, explosões foram ouvidas e destroços de drones interceptados causaram danos a residências e veículos, resultando no ferimento de uma criança de 11 anos, conforme informou o Ministério do Interior do Bahrein. Esta ação segue um ataque anterior realizado por Teerã contra a base norte-americana no Bahrein na última terça-feira.
O presidente Donald Trump afirmou que caças americanos operaram nos céus iranianos e que Israel não participou da missão. Trump alegou ter conversado com autoridades iranianas na quarta-feira, as quais teriam solicitado a interrupção dos bombardeios, versão negada pelo governo de Teerã. O presidente não descartou a continuidade das ações militares.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, justificou que as ofensivas, descritas como "fortes e claras", visavam instalações-chave para avançar os interesses militares de Washington no Oriente Médio e viabilizar uma solução diplomática. O Irã, por sua vez, declarou que não realiza negociações sob ameaças e prometeu uma resposta rigorosa contra alvos norte-americanos, alertando que a escalada do conflito pode ultrapassar os limites do Oriente Médio.
Esta é a segunda sequência de bombardeios dos EUA contra o Irã desde o início da trégua, em abril. Washington justificou a primeira onda de ataques como retaliação à derrubada de um helicóptero Apache.