Irã inicia cerimônias públicas de despedida do líder supremo Ali Khamenei neste sábado
O Irã realiza, entre sábado (4) e quinta-feira (9), as cerimônias públicas de despedida do aiatolá Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro de 2026 em ataque dos Estados Unidos e Israel. O filho do líder, Mojtaba Khamenei, assumiu o cargo em março
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O Irã inicia neste sábado (4) as cerimônias públicas de despedida do aiatolá Ali Khamenei, que governou o país por quase quatro décadas. O funeral, que se estende até a próxima quinta-feira (9), ocorre após a morte do líder supremo em 28 de fevereiro de 2026, vítima de um ataque conjunto realizado por Estados Unidos e Israel. O cargo foi assumido em março por seu filho, Mojtaba Khamenei.
Um evento restrito ocorreu na sexta-feira (3), reunindo a cúpula governamental, forças armadas e delegações da China e da Rússia.
Nascido em 1939, em Mashhad, em uma família pobre e devota, Ali Khamenei cresceu durante a monarquia do xá Reza Pahlavi, período em que o Irã mantinha alianças com Israel e Estados Unidos. A influência da cultura ocidental e a repressão política da época impulsionaram sua adesão a ideologias antiocidentais, levando-o a participar de protestos contra a monarquia. Após ser preso e exilado em 1977, retornou ao país para a revolução islâmica de 1979, liderada por Ruhollah Khomeini, que derrubou o xá e alterou a política externa iraniana para a hostilidade aos Estados Unidos — referidos como "grande satã" — e a negação da existência do Estado de Israel.
A ascensão de Khamenei ao poder foi gradual. Embora não fosse um líder da revolução nem possuísse inicialmente o título de aiatolá, tornou-se homem de confiança de Khomeini. Atuou como vice-ministro da Defesa e presidente durante a guerra com o Iraque (1980-1988). Em 1981, aos 42 anos, foi eleito presidente com 95% dos votos, logo após um atentado a bomba que paralisou sua mão direita.
Ao assumir a liderança suprema em 1989, após a morte de Khomeini, Khamenei consolidou um governo de mão de ferro sobre a nação de 90 milhões de habitantes. Com poder para anular decisões presidenciais e demitir membros do governo sem aval do parlamento, ele se posicionou como guardião da justiça social e da independência nacional, mas reprimiu violentamente qualquer oposição. Entre os episódios de repressão destacam-se a "Onda Verde" de 2009, as revoltas contra o preço dos combustíveis em 2019 e os protestos de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia moral.
No plano internacional, Khamenei implementou a estratégia de "guerra por procuração", financiando e armando grupos como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Faixa de Gaza.
Nos últimos anos, o regime enfrentou queda de popularidade devido a uma economia fragilizada por inflação, desemprego e a queda nas exportações de petróleo, agravadas por sanções ocidentais ao programa nuclear iraniano. A crise financeira se intensificou após ataques de Israel e EUA em junho de 2025, resultando em protestos violentos no início de 2026 que deixaram milhares de mortos.
Khamenei, que havia sobrevivido a um câncer em 2014 e a um atentado em 1981, passou seus últimos meses vivendo em um bunker subterrâneo em Teerã, longe do escrutínio público em um país onde a imprensa é controlada pelo Estado.