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Irã isenta de taxas a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz por 60 dias

19 de Junho de 2026 às 06:06

O governo do Irã isentará de taxas a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz por 60 dias para viabilizar negociações com os Estados Unidos. A medida, anunciada nesta sexta-feira (19), prevê que a República Islâmica assuma os custos operacionais

Irã isenta de taxas a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz por 60 dias
Reuters/Stringer

O governo do Irã decidiu isentar de taxas a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz pelos próximos 60 dias, período estabelecido para a conclusão de negociações com os Estados Unidos. O anúncio, feito nesta sexta-feira (19) pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional e divulgado pela agência Irna, prevê que a própria República Islâmica assumirá os custos operacionais. A medida visa garantir a fluidez no canal, ponto estratégico para o escoamento global de petróleo e gás, embora a Autoridade das Vias Navegáveis do Golfo Pérsico ainda precise definir as rotas, horários e detalhes técnicos para que o tráfego seja retomado gradualmente.

A gratuidade da passagem estava prevista no acordo de cessar-fogo assinado na quarta-feira (17), revertendo a intenção anterior de Teerã de cobrar pedágios para reconstruir infraestruturas danificadas por ataques de Israel e dos EUA. O documento, um memorando de entendimento com 14 pontos divulgado por Washington, estabelece um regime de cessar-fogo inicial de 60 dias para a discussão de termos definitivos, prazo que pode ser prorrogado por igual período caso não haja consenso.

Apesar do avanço na abertura do estreito, a diplomacia enfrenta retrocessos. O Ministério das Relações Exteriores suíço informou que a reunião prevista para esta sexta-feira (19) entre as duas nações na Suíça foi cancelada. A Casa Branca confirmou que o vice-presidente JD Vance desistiu da viagem para encontrar os negociadores iranianos. Paralelamente, surgiram informações de que o Pentágono solicitaria US$ 80 bilhões para cobrir os gastos da guerra contra o Irã.

A plena implementação da paz esbarra na postura de Israel, que não assinou o acordo e mantém tropas em uma zona de 10 quilômetros ao sul do Líbano. As forças israelenses continuam ataques no território libanês sob a justificativa de combater o Hezbollah, resultando na destruição de pontes, reservatórios de água e no deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas. A tensão entre os aliados se manifestou publicamente quando JD Vance classificou a reação de Israel ao acordo entre Washington e Teerã como um "chilique" e "pânico estranho".

No campo nuclear, o memorando prevê que o Irã não desenvolverá armas nucleares em troca da suspensão de sanções econômicas e de compensações financeiras. Resta definir o nível permitido de enriquecimento de urânio e a destinação das reservas atuais do país, estimadas em 11 toneladas, das quais 441 kg possuem 60% de enriquecimento. Os Estados Unidos buscam um controle mais rigoroso do que o pacto de 2015, enquanto o Irã utiliza sua capacidade de bloquear o Estreito de Ormuz e a resiliência de seu regime como instrumentos de barganha nas negociações.

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