Irã suspende acordo de paz com Estados Unidos após alegar descumprimento de termos por Washington
O Irã suspendeu um acordo de paz com os Estados Unidos alegando descumprimento de termos. O conflito envolve bombardeios americanos a infraestruturas iranianas e ataques do Irã ao Kuwait e outros países vizinhos. A crise restringiu o tráfego no Estreito de Ormuz, elevando os preços do petróleo
O Irã suspendeu a implementação de um acordo temporário de paz firmado com os Estados Unidos há cerca de um mês, sob a justificativa de que Washington descumpriu os termos do entendimento. A decisão foi confirmada pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, que afirmou que o governo iraniano não manterá suas obrigações diante da quebra de compromissos americana.
Nesse contexto, o líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou que a assinatura de um presidente dos Estados Unidos carece de valor e credibilidade. Em publicações na rede social X, Khamenei referiu-se aos EUA como "Grande Satã" e afirmou que a nação iraniana e a "frente de resistência" darão "lições inesquecíveis" ao país, que estaria pagando um preço crescente pela escalada da guerra.
Mobilização interna e militar
Diante do agravamento do conflito, o aiatolá convocou a população e as autoridades a manterem a unidade nacional, defendendo que a coesão do país deve prevalecer sobre quaisquer divergências políticas ou sociais. Khamenei manifestou confiança nos comandantes militares, assegurando que permanece atento à defesa dos interesses do Irã.
Ofensivas e impactos na infraestrutura
A tensão militar se traduz em ataques recíprocos. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) realizou bombardeios contra depósitos subterrâneos de armas, infraestrutura logística militar, instalações de vigilância e capacidades marítimas iranianas pela sétima noite consecutiva.
No sul do Irã, na província de Hormozgan, as investidas americanas atingiram usinas elétricas e de dessalinização. De acordo com a agência IRNA, a destruição de uma dessas usinas interrompeu o fornecimento de água para 10 mil pessoas, enquanto outra unidade foi danificada na ilha de Qeshm. Pontes e túneis que dão acesso ao porto de Bandar Abbas, terminal marítimo estratégico, também foram alvos.
Simultaneamente, o Irã intensificou ataques a países vizinhos:
- Kuwait: Mísseis atingiram uma usina de dessalinização e uma instalação de petróleo, causando feridos e incêndios. O país fechou temporariamente o espaço aéreo e depende da dessalinização para 90% de sua água potável.
- Outras nações: Arábia Saudita, Bahrein, Jordânia e Iraque registraram a interceptação de drones e mísseis ou acionaram sistemas de defesa aérea no sábado.
Crise no Estreito de Ormuz e petróleo
O conflito impacta diretamente o Estreito de Ormuz, rota por onde circulava aproximadamente 20% do petróleo mundial antes da guerra. O Irã restringiu o tráfego marítimo, passou a cobrar taxas de embarcações e defende o controle exclusivo da passagem, o que reduziu a circulação de navios e pressionou a alta dos preços internacionais do petróleo.
Em resposta, Donald Trump restabeleceu o bloqueio naval aos portos iranianos para dificultar as exportações de combustível e ameaçou bombardear pontes e usinas de energia do país.
Até o momento, não houve avanços em mediações. As negociações sobre o programa nuclear iraniano, que ocorriam antes do início das hostilidades, foram interrompidas, e o cenário atual não apresenta perspectivas de cessar-fogo.