Iraque inicia construção de complexo de dessalinização para combater a escassez hídrica em Basra
O Iraque iniciou a construção de um complexo de dessalinização em Basra com capacidade de 1,1 milhão de metros cúbicos de água por dia para atender quatro milhões de pessoas. O projeto de US$ 2,4 bilhões é executado por um consórcio sino-iraquiano e financiado pelo Fundo Iraquiano-Chinês e receitas do petróleo. A estrutura inclui três linhas de osmose reversa, uma usina de energia de 300 MW e 240 km de tubulações

O Iraque iniciou a construção de um complexo de dessalinização em Basra para combater a escassez hídrica na província, agravada pela redução das chuvas e pela queda da vazão dos rios Tigre e Eufrates. O projeto, lançado oficialmente em julho de 2025 pelo primeiro-ministro Mohammed Shia Al-Sudani, visa transformar a água do mar em suprimento urbano para atender mais de quatro milhões de pessoas.
Localizada próxima ao Grande Porto de Al-Faw, a usina terá capacidade de produzir cerca de 1,1 milhão de metros cúbicos de água por dia. Para atingir esse volume, a estrutura contará com três linhas de tratamento por osmose reversa, cada uma com estimativa de 335 mil m³ diários. O governador de Basra, Asaad Al-Eidani, classificou a iniciativa como o maior projeto de dessalinização do mundo.
A viabilização financeira do empreendimento ocorre por meio do Fundo Iraquiano-Chinês, com previsão de repasses ao longo de quatro anos, além de alocações provinciais de petrodólares provenientes de receitas federais do petróleo. O governador descartou a utilização de empréstimos japoneses, anteriormente discutidos, para o financiamento da obra.
A execução técnica está a cargo de um consórcio formado pela Power China International e pelo Grupo Al-Ridha, do Iraque. Em janeiro de 2026, a Power Construction Corporation of China formalizou um contrato de engenharia, aquisição e construção (EPC) no valor de 17,193 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 2,4 bilhões). O cronograma estabelece seis meses para mobilização, 1.350 dias de construção e um período de garantia de 24 meses, contando ainda com a supervisão e desenvolvimento da ILF Consulting Engineers.
Para sustentar a operação de alta demanda energética da osmose reversa, o projeto prevê a instalação de uma usina de energia dedicada de 300 MW. A infraestrutura de distribuição compreende 240 km de tubulações, nove estações de distribuição, uma estação principal de bombeamento e 12 tanques de armazenamento com capacidade total de um milhão de metros cúbicos.
Como medida de transição, unidades temporárias de dessalinização serão instaladas durante a fase de construção para garantir o fornecimento de água potável aos moradores até que o sistema principal e a rede de distribuição entrem em operação plena.