Israel detém 430 pessoas de flotilha humanitária e gera condenações de diversos governos europeus
Forças israelenses detiveram 430 pessoas de uma flotilha de ajuda humanitária para Gaza em águas internacionais na última segunda-feira. A ação e a divulgação de imagens dos detidos causaram condenações de governos da Itália, Irlanda, Espanha, França e Indonésia. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendeu a operação, mas criticou a forma como os ativistas foram tratados
A interceptação de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza por forças israelenses, ocorrida na última segunda-feira (18) nas proximidades de Chipre, gerou uma onda de condenações internacionais após a divulgação de imagens dos detidos. O vídeo, publicado no Telegram pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, mostra ativistas ajoelhados e com as mãos amarradas enquanto o hino nacional de Israel é executado.
A ação resultou na detenção de 430 pessoas, levadas ao porto de Ashdod, no sul de Israel. A ONG Adalah, que monitora a situação, afirma que a interceptação ocorreu em águas internacionais e que os participantes foram transportados contra a vontade, o que configuraria uma violação do direito internacional. A flotilha, composta por cerca de 50 embarcações que partiram da Turquia, tinha como objetivo levar ajuda humanitária a Gaza e protestar contra o bloqueio imposto pelo governo israelense ao território palestino.
O tratamento dispensado aos detidos provocou reações diplomáticas imediatas. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificou as cenas como inaceitáveis e contrárias à dignidade humana, informando que o governo italiano busca a libertação imediata de seus cidadãos. Na Irlanda, a ministra das Relações Exteriores, Helen McEntee, manifestou choque com a falta de respeito aos participantes, grupo que inclui Margaret Connolly, irmã da presidente Catherine Connolly.
A Espanha e a França também reagiram formalmente. O governo espanhol convocou a encarregada de negócios de Israel em Madri após o ministro José Manuel Albares definir a conduta como indigna e inumana. Em Paris, o embaixador israelense foi convocado pelo ministro Jean-Noël Barrot, que considerou a atitude de Ben Gvir inadmissível. A Indonésia, por sua vez, solicitou a soltura de nove de seus cidadãos, incluindo dois jornalistas do jornal Republika, reiterando o caráter humanitário da missão.
Internamente, o governo de Israel apresenta divergências sobre a exposição do caso. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendeu a interceptação da flotilha, alegando que a operação visava impedir a tentativa de romper o bloqueio a Gaza e acusando os organizadores de apoiar o grupo Hamas. No entanto, Netanyahu criticou a divulgação do vídeo por Ben Gvir, admitindo que a forma como os ativistas foram tratados não condiz com as normas e valores de Israel.