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Israel e Irã retomam ataques diretos e rompem cessar-fogo estabelecido em abril

08 de Junho de 2026 às 09:07

Israel e Irã retomaram ataques diretos nesta segunda-feira (8), com bombardeios israelenses em Teerã, Tabriz e Isfahan após disparos de mísseis iranianos no domingo (7). O Irã fechou seu espaço aéreo e definiu bases dos Estados Unidos no Oriente Médio como alvos legítimos. Donald Trump criticou a postura de Benjamin Netanyahu diante da intensificação das operações militares

A escalada de tensões no Oriente Médio atingiu um novo patamar nesta segunda-feira (8), com a retomada de ataques diretos entre Israel e Irã, rompendo definitivamente o cessar-fogo estabelecido em abril. A ofensiva israelense atingiu alvos militares em Teerã, Tabriz e Isfahan, marcando a primeira vez que ambos os países se atacam mutuamente desde a trégua de abril.

O cenário de instabilidade é agravado por divergências diplomáticas entre Washington e Tel Aviv. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou publicamente sua insatisfação via rede Truth Social, criticando a "estupidez" que prejudica as negociações de um acordo de paz. Trump, que busca um cessar-fogo imediato, admitiu ter tido discussões com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chegando a chamá-lo de "completamente louco" devido à intensificação das operações militares no Líbano.

A crise atual é reflexo de uma sequência de violações de acordos. Recentemente, Israel bombardeou prédios em um subúrbio de Beirute, sob a justificativa de neutralizar terroristas do Hezbollah que planejavam ataques. A ação desconsiderou a garantia de Trump, na semana anterior, de que não haveria novos bombardeios ao Líbano, e violou a trégua que o presidente norte-americano tentou estabelecer entre Israel e o grupo financiado pelo Irã.

Em resposta aos ataques em Beirute, o Irã disparou mísseis contra Israel no domingo (7). Embora o sistema de defesa Domo de Ferro tenha interceptado os projéteis e não tenham sido registrados feridos, a Guarda Revolucionária do Irã confirmou ter mirado em uma base militar israelense. Mesmo após o pedido direto de Trump para que Netanyahu não revidasse a ação de Teerã, o premiê israelense afirmou que contra-atacaria, culminando nos bombardeios de segunda-feira.

O governo iraniano, representado pelo porta-voz Esmaeil Baghaei, atribuiu aos Estados Unidos a responsabilidade direta pelas violações do cessar-fogo, alegando que Israel não age sem consultar Washington. Para Teerã, a situação aprofunda a desconfiança em relação aos EUA e torna o processo diplomático caótico. Como consequência, Mohammad Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e negociador com os EUA, anunciou o fechamento do espaço aéreo do Irã. O Iraque também suspendeu a navegação aérea por 72 horas.

A tensão escalou para ameaças diretas contra ativos norte-americanos. O Irã declarou que as 19 bases dos Estados Unidos no Oriente Médio — localizadas em países como Arábia Saudia, Egito, Iraque, Omã e Emirados Árabes Unidos — voltaram a ser alvos legítimos, estendendo a ameaça a ativos de Israel na região.

No campo diplomático, Trump afirmou ao jornal Financial Times que Netanyahu não teria alternativa a não ser aceitar o acordo de paz entre Washington e Teerã, que ainda está em fase de negociação, reiterando que ele detém o controle das decisões estratégicas. A divergência sobre a abrangência da trégua persiste: enquanto Paquistão e Irã defendem que o Líbano deveria estar contemplado no acordo, EUA e Israel sustentam que a trégua se limitava a ataques em território iraniano e nos países do Golfo Pérsico.

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