Israel e Líbano acordam renovação de cessar-fogo com a criação de zonas de segurança
Israel e Líbano acordaram a renovação de um cessar-fogo com a criação de zonas de segurança sob controle exclusivo das Forças Armadas Libanesas. O acordo, mediado pelos Estados Unidos, exige a interrupção dos ataques do Hezbollah e a retirada do grupo da área entre a fronteira e o rio Litani
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Israel e o Líbano acordaram a renovação de um cessar-fogo, com a criação de "zonas-piloto" de segurança em território libanês onde a atuação de agentes do Hezbollah será proibida. O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, após a quarta rodada de negociações mediadas por Washington.
A validade do acordo depende da interrupção total dos ataques realizados pelo Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã e classificado como organização terrorista por Israel, EUA e Reino Unido. Outra condição central é a retirada de todos os integrantes do grupo de uma área controlada por Israel no sul do Líbano, compreendida entre a fronteira e o rio Litani.
Nesse novo desenho, as Forças Armadas Libanesas assumirão o controle exclusivo das zonas-piloto, com a exclusão de qualquer agente não estatal. No entanto, o comunicado oficial não detalhou o funcionamento prático dessas áreas nem apresentou mapas de sua localização.
A medida ocorre em um cenário de instabilidade, após a tentativa de uma trégua parcial na última segunda-feira — que previa a suspensão de bombardeios israelenses em Beirute em troca da interrupção de ataques do Hezbollah contra Israel. Esse acordo preliminar foi testado por disparos de ambos os lados ao longo da semana. Na quarta-feira (3), ataques israelenses mataram ao menos nove pessoas no sul do Líbano, enquanto o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel.
O Ministério da Saúde do Líbano detalhou que, entre as vítimas de quarta-feira, estão dois paramédicos da Associação Escoteira Risala, cujos veículos foram atingidos em Chehour. Outro ataque ocorreu ao sul de Beirute. No sul do país, na área de al-Housh, quatro sírios e dois palestinos morreram. O exército libanês também relatou a morte de um soldado e ferimentos em outros dois militares em ataques aéreos israelenses nas estradas entre Nabatieh, Kfar Tebnit e Deir Zahrani.
Do lado israelense, o Exército informou a interceptação de um drone e dois projéteis. O Hezbollah, por sua vez, afirmou ter atacado um agrupamento de tropas israelenses. Internamente, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, criticou a renovação do cessar-fogo, classificando-a como um erro que fortaleceria o Hezbollah, e pediu que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeitasse as pressões de Donald Trump pelo fim dos combates.
O conflito no Líbano intensificou-se em 2 de março, quando o Hezbollah disparou foguetes contra Israel em resposta à morte do líder supremo do Irã, desencadeando uma campanha aérea e invasão terrestre israelense. Desde então, o Ministério da Saúde libanês contabiliza 3.516 mortes no país, sem distinguir civis de combatentes. A ONU registra mais de um milhão de deslocados internos, com ordens de evacuação israelenses abrangendo mais de um oitavo do território libanês. Israel reporta a morte de 26 soldados e quatro civis.
A mediação americana busca evitar que a escalada no Líbano prejudique um acordo mais amplo entre EUA, Israel e Irã. Embora o Irã defenda que qualquer cessar-fogo regional inclua o Líbano, Donald Trump manifestou a intenção de separar as negociações com Teerã das discussões sobre o conflito entre Israel e Hezbollah.
As partes devem se reunir novamente em 22 de junho para tentar viabilizar um acordo abrangente. Até o momento, o Hezbollah não se pronunciou oficialmente sobre o anúncio do Departamento de Estado, embora membros de seu conselho político tenham negado anteriormente a existência de tréguas, limitando-se a aceitar a proteção da região de Dahieh, nos subúrbios de Beirute.