Itália inicia construção de ponte que será a maior do mundo no Estreito de Messina
A Itália iniciou a construção da Ponte do Estreito de Messina, que ligará a Sicília à Calábria com previsão de entrega para 2034. A obra, financiada pelo governo italiano, terá 3.666 metros de extensão, seis pistas rodoviárias e duas linhas ferroviárias. O projeto custará € 13,5 bilhões e será executado pelo consórcio Eurolink

A Itália inicia a construção da Ponte do Estreito de Messina, obra estratégica que conectará a Sicília, em Capo Peloro, à Calábria, em Punta Pezzo. O projeto, que conta com financiamento integral do governo italiano, prevê a entrega para 2034, após um cronograma de oito anos de execução. A fundação das torres deve começar no segundo semestre de 2026, seguida pela elevação da estrutura principal entre 2027 e 2030, e a instalação dos cabos entre 2030 e 2032.
Com um comprimento total de 3.666 metros e um vão livre suspenso de 3.300 metros, a ponte superará a atual recordista mundial, a 1915 Çanakkale, na Turquia, por 1.277 metros, sendo mais de 60% maior. A infraestrutura contará com seis pistas rodoviárias e duas linhas ferroviárias, com capacidade para 6 mil veículos por hora — volume 50% superior ao da Ponte Rio-Niterói. A obra reduzirá o tempo de travessia entre a Sicília e o continente de uma hora, via balsa, para apenas 10 minutos, o que deve impulsionar o crescimento econômico da região siciliana em 15%.
O consórcio Eurolink, liderado pelo Webuild Group, implementará tecnologias de alta resistência para viabilizar o projeto. Cada torre pesará 55 mil toneladas de aço, volume equivalente a cinco Torres Eiffel. Em parceria com a IHI Corporation, será utilizado um aço com limite de escoamento 1,5 vez maior que o padrão, reduzindo o peso da estrutura sem comprometer a rigidez e garantindo a estabilidade contra sismos de magnitude 7,5, ponto crítico devido à atividade sísmica histórica da falha de Messina.
A sustentação da ponte dependerá de quatro cabos principais com 1,26 metro de diâmetro cada. A soma dos fios de aço totaliza 940 mil quilômetros, distância que representa 2,5 vezes o trajeto entre a Terra e a Lua. Cada cabo suportará 100 mil toneladas de tração, superando o peso de dez Torres Eiffel. Para mitigar a corrosão marítima, a Webuild aplicará um revestimento triplo de zinco e polímero.
A concretização da obra ocorre após décadas de idas e vindas políticas. Embora Calígula tenha ordenado a construção de uma ponte no local em 38 d.C., a proposta moderna surgiu em 1969. O projeto foi aprovado por Silvio Berlusconi em 2009, cancelado por Mario Monti em 2013 e reaprovado pelo governo Meloni em 2023, com custos recalculados. Em fevereiro de 2026, Salvini confirmou o início dos trabalhos.
Apesar do avanço, o projeto enfrenta questionamentos sobre a viabilidade do orçamento de € 13,5 bilhões e alertas de ambientalistas sobre os impactos no ecossistema marinho do estreito. O cenário contrasta com a infraestrutura brasileira, onde a Ponte Salvador-Itaparica, discutida desde 2003 e licitada em 2019, ainda não foi iniciada. Além disso, a malha viária federal do Brasil, com 159 mil quilômetros de rodovias e mais de 2 mil pontes antigas, demanda investimentos em manutenção superiores ao custo total da obra italiana. No país, a Ponte da Imigração de Florianópolis, maior arco do Brasil, foi finalizada em 2026 após oito anos de obra.