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Japão investe em computação e inteligência artificial para reduzir a dependência tecnológica de potências estrangeiras

05 de Junho de 2026 às 15:22

O Japão investe em computação e semicondutores para desenvolver inteligência artificial nacional e reduzir a dependência tecnológica estrangeira. O governo implementou subsídios, compras públicas e parcerias com empresas dos Estados Unidos e locais. A câmara baixa do parlamento aprovou a flexibilização do uso de dados pessoais para o treinamento de algoritmos

Japão investe em computação e inteligência artificial para reduzir a dependência tecnológica de potências estrangeiras
Reuters/Kim Kyung-Hoon

O Japão implementou uma mudança em sua estratégia geopolítica para assegurar a autonomia digital e evitar a subordinação tecnológica diante de potências estrangeiras. O ministro de Digitalização, Hisashi Matsumoto, defende a necessidade de investimentos bilionários em computação, alertando que a falta de desenvolvimento próprio em inteligência artificial (IA) poderia transformar o país em uma colônia digital e resultar na perda do controle sobre sua infraestrutura informática.

Para reverter esse cenário, o governo japonês mobilizou um pacote de medidas que combina compras públicas e subsídios econômicos. A estratégia é dual: enquanto Tóquio utiliza seus acordos de segurança com os Estados Unidos para atrair investimentos e acessar ferramentas de empresas como OpenAI e Microsoft, simultaneamente oferece apoio político e financeiro a fabricantes de semicondutores e companhias locais, a exemplo da Sakura Internet e da SoftBank. O objetivo é ampliar a capacidade de processamento interno para a criação de modelos de computação nacionais.

Essa movimentação ocorre em paralelo a um esforço da União Europeia, que lançou recentemente um plano para fomentar serviços em nuvem e a produção de microchips locais, visando diminuir a dependência de corporações americanas.

No âmbito legislativo, o Japão busca reformar a regulamentação de proteção de dados pessoais para acelerar o treinamento de algoritmos de IA por empresas nacionais. A proposta permite o uso de informações sensíveis, incluindo antecedentes criminais e históricos médicos, sem a necessidade de consentimento dos cidadãos. O governo justifica a medida pela rapidez da evolução do setor tecnológico global.

O texto legal obteve a aprovação da maioria da câmara baixa do parlamento na última semana e segue agora para debate na câmara alta. A proposta enfrenta resistência de partidos de oposição, que manifestaram preocupação com a possibilidade de vazamentos massivos de dados privados.

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