Jovens invadem hospital na República Democrática do Congo para recuperar corpo de pastor com ebola
Jovens invadiram um hospital em Mongbwalu, na República Democrática do Congo, para recuperar o corpo de um pastor morto por ebola. Soldados intervieram com disparos de advertência durante os ataques ocorridos no domingo. O país registra mais de 200 mortes confirmadas pelo surto da cepa Bundibugyo
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Um grupo de jovens invadiu um hospital na cidade de Mongbwalu, no nordeste da República Democrática do Congo, para tentar recuperar o corpo de um pastor católico morto por ebola. O episódio ocorreu na noite de domingo, em quatro ataques sucessivos à unidade de saúde, e exigiu a intervenção de soldados, que utilizaram disparos de advertência para dispersar a multidão. A vítima era uma liderança religiosa influente na cidade, que possui 130 mil habitantes.
O incidente na província de Ituri reflete a tensão crescente em uma região onde o atual surto da febre hemorrágica viral foi detectado inicialmente, em 15 de maio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou para a probabilidade de agravamento da crise, que soma 220 mortes suspeitas, sendo mais de 200 confirmadas no país.
A instabilidade nas unidades de saúde de Ituri é recorrente. Recentemente, no hospital de Rwampara, tendas destinadas ao isolamento de pacientes foram incendiadas após a família de um falecido ter sido impedida de retirar o corpo para o sepultamento, visando evitar a propagação do vírus.
O controle da doença é dificultado por práticas culturais em zonas rurais, onde rituais funerários envolvem o contato direto de familiares com cadáveres e roupas de mortos, potencializando a transmissão. O ebola é transmitido por fluidos corporais e pode causar falência de múltiplos órgãos e hemorragias graves.
No caso do 17º surto a atingir a nação centro-africana, que conta com mais de 100 milhões de habitantes, a cepa identificada é a Bundibugyo. Para esta variante específica, não existem vacinas ou tratamentos disponíveis, tornando o rastreamento rápido de contatos e a adoção de medidas de precaução as únicas ferramentas para frear o avanço da enfermidade.