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Jovens protestam no Quênia contra a criação de centro de quarentena para americanos expostos ao Ebola

01 de Junho de 2026 às 15:11

Jovens protestaram nesta segunda-feira (1º) contra a instalação de um centro de quarentena para americanos expostos ao Ebola na Base Aérea de Laikipia, no Quênia. O Supremo Tribunal do país suspendeu a unidade, que previa 50 leitos e investimento de US$ 13,5 milhões

Jovens protestam no Quênia contra a criação de centro de quarentena para americanos expostos ao Ebola
Andrew Kasuku/AP Photo

Centenas de jovens marcharam até os portões da Base Aérea de Laikipia, na cidade de Nanyuki, centro do Quênia, nesta segunda-feira (1º), para protestar contra a criação de um centro de quarentena destinado a cidadãos americanos expostos ao Ebola. A população local manifestou receio de que o transporte de pacientes estrangeiros possa introduzir o vírus no país, que ainda não registrou casos no atual surto da doença.

A mobilização ocorreu dois dias após o Supremo Tribunal do Quênia suspender a instalação da unidade e a recepção de pacientes estrangeiros. A decisão judicial aguarda o julgamento de uma ação movida por um órgão de fiscalização constitucional e pela Ordem dos Advogados do Quênia, que argumentam que a fragilidade do sistema de saúde nacional torna o país inadequado para hospedar pessoas infectadas.

O plano, revelado por autoridades dos Estados Unidos na quinta-feira (28), previa que americanos expostos ao vírus no exterior fossem encaminhados para a base aérea em vez de serem repatriados. A estrutura deveria contar com 50 leitos e entrar em operação até esta sexta-feira (5). Para viabilizar a preparação do Quênia contra a doença, o Secretário de Estado Marco Rubio anunciou um investimento de US$ 13,5 milhões.

A oposição ao projeto é compartilhada por lideranças regionais, como o governador de Laikipia, Joshua Irungu, e moradores como Malin Ndegwa, que defende que o Quênia não deve ser exposto ao risco por não ser o epicentro da epidemia.

O cenário regional é de alerta, com a Uganda, vizinha do Quênia, relatando nove casos e fechando a fronteira com a República Democrática do Congo (RDC). Na RDC, a variante Bundibugyo do Ebola — que não possui vacina ou tratamento aprovados — espalha-se rapidamente, com 282 casos confirmados e mais de 1.000 suspeitos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que o surto começou há alguns meses e que a resposta internacional foi tardia.

O Ebola é caracterizado por alta letalidade, com média de 50% de óbitos, e a transmissão ocorre por meio do contato direto com fluidos corporais de infectados ou superfícies contaminadas.

Com informações de G1

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