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Juiz federal arquiva ação contra imigrante e aponta retaliação do governo de Donald Trump

23 de Maio de 2026 às 06:11

Um juiz federal de Nashville arquivou a ação criminal contra o imigrante salvadorenho Kilmar Abrego nesta sexta-feira (22). A decisão concluiu que o governo de Donald Trump utilizou o processo de tráfico de pessoas como retaliação judicial. O Departamento de Justiça informou que recorrerá do arquivamento

Juiz federal arquiva ação contra imigrante e aponta retaliação do governo de Donald Trump
REUTERS/Elizabeth Frantz

Um juiz federal de Nashville, no Tennessee, arquivou nesta sexta-feira (22) a ação criminal movida contra o imigrante salvadorenho Kilmar Abrego. Na decisão, o magistrado Waverly Crenshaw concluiu que o governo de Donald Trump utilizou o processo como forma de retaliação, abusando do poder estatal em resposta à ação judicial que Abrego havia movido para impedir sua deportação.

O caso tornou-se emblemático dentro da política de deportações em massa da gestão Trump. Abrego, que ingressou ilegalmente nos Estados Unidos, foi enviado em março para uma megaprisão em El Salvador, ignorando uma decisão judicial prévia que proibia seu retorno ao país de origem devido ao risco de perseguição. Após a Suprema Corte dos EUA determinar que o governo facilitasse a volta do imigrante, promotores formularam uma denúncia de tráfico de pessoas baseada em uma abordagem policial ocorrida em 2022.

O Departamento de Justiça reabriu a investigação de 2022 para criar a justificativa necessária para permitir que Abrego retornasse aos Estados Unidos em junho de 2025. O imigrante, que se declarou inocente, sustentou que a acusação era uma vingança por ter acionado a Justiça.

A suspeita de perseguição jurídica já havia sido apontada por Crenshaw no ano passado. O juiz fundamentou essa percepção em declarações de Todd Blanche, então vice-procurador-geral e atual procurador-geral interino dos Estados Unidos, à Fox News. Na ocasião, Blanche admitiu que a investigação contra Abrego foi retomada após a juíza federal Paula Xinis, de Maryland, questionar a deportação do salvadorenho.

Na sentença atual, Crenshaw destacou que o governo não conseguiu refutar a tese de motivação retaliatória, mencionando que Blanche não compareceu ao depoimento marcado para 26 de fevereiro de 2026 sobre o arquivamento do processo.

Paralelamente ao processo criminal, o governo Trump tentou deportar Abrego para um terceiro país após seu retorno aos EUA. No entanto, a juíza Xinis determinou a libertação do imigrante da custódia imigratória em dezembro. A defesa de Abrego celebrou a decisão do Judiciário, enquanto o Departamento de Justiça informou que irá recorrer do arquivamento.

Com informações de G1

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