Keir Starmer recusa renúncia apesar de pressão de 81 parlamentares do Partido Trabalhista
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer nega intenção de renunciar apesar da pressão de 81 parlamentares e da saída de quatro ministros nesta terça-feira (12). Seis outros ministros também teriam solicitado a substituição do premiê, que argumenta que sua saída ampliaria o caos no país
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/O/R/gccuVtRGOGJvXBrrOidQ/2026-05-12t104530z-1850235581-rc2l7la8yfw1-rtrmadp-3-britain-politics.jpg)
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, enfrenta uma crise de governabilidade marcada por forte resistência interna no Partido Trabalhista. Apesar de ter reafirmado em reunião de gabinete, nesta terça-feira (12), que não pretende renunciar, Starmer lida com a pressão de ao menos 81 de seus 403 parlamentares, que assinaram uma carta defendendo sua substituição por não considerá-lo a pessoa certa para liderar o país e vencer as próximas eleições.
A instabilidade resultou na saída de quatro ministros apenas nesta terça-feira. Entre as renúncias estão a ministra júnior de Habitação, Miatta Fahnbulleh, e os parlamentares Alex Davies-Jones e Jess Phillips, que justificaram a decisão pela incapacidade do premiê em guiar a nação diante dos desafios atuais. Outros seis nomes de peso no governo, incluindo os ministros da Saúde, Energia, Interior, Defesa, Relações Exteriores e Cultura, também teriam solicitado a renúncia de Starmer.
Durante o encontro de emergência na residência oficial, Starmer argumentou que sua saída agora ampliaria o caos no país e que o partido deve focar na recuperação do governo. Ele destacou que o mecanismo formal de sucessão do Partido Trabalhista não foi ativado e desafiou seus ministros a apresentarem um nome capaz de rivalizar com sua liderança. A tese de que não há clima para um desafio direto foi corroborada por ministros após a reunião, enquanto o secretário de Habitação, Steve Reed, manifestou apoio público ao premiê, alertando para os riscos da instabilidade política.
Apesar da resistência, diversos nomes surgem como potenciais sucessores. Wes Streeting, ministro da Saúde, é visto como um centrista alinhado à contenção fiscal e ao aumento de gastos em defesa. De origem operária e ex-presidente da União Nacional de Estudantes, Streeting comanda o orçamento do Serviço Nacional de Saúde (NHS), superior a 200 bilhões de libras, embora enfrente greves médicas após conceder aumento salarial de 22% a residentes.
Outra figura influente é Andy Burnham, prefeito de Manchester. Embora esteja impedido de concorrer a cargos de liderança por não integrar o parlamento — tendo sido barrado pelo Comitê Executivo Nacional do partido em janeiro —, Burnham é referência para a ala centro-esquerda. Ex-vice-ministro das Finanças, ele tenta equilibrar sua visão econômica para tranquilizar investidores.
Na ala esquerda, destaca-se Angela Rayner, que renunciou aos cargos de vice-primeira-ministra e secretária de Habitação em 2025 após irregularidades fiscais na compra de um imóvel e violação do código de conduta ministerial. Rayner, com forte ligação sindical, tem defendido medidas ousadas para proteger a população dos impactos da guerra com o Irã.
Entre os demais nomes citados estão Ed Miliband, ministro da Energia e defensor de políticas de energia líquida zero, que já liderou o partido entre 2010 e 2015; Shabana Mahmood, ministra do Interior e primeira mulher muçulmana no cargo, que adota postura rígida contra a imigração para combater o avanço do partido Reform UK; e Al Carns, ministro adjunto da Defesa e veterano do Afeganistão, visto como uma opção de renovação por ser parlamentar de primeiro mandato.
O cenário de turbulência ocorre às vésperas do discurso do Estado da União, que será proferido pelo rei Charles III no Parlamento nesta quarta-feira (13), momento em que o governo deve definir as prioridades legislativas para o próximo ano.