Kremlin nega acusações dos Estados Unidos sobre interferência russa em processos eleitorais norte-americanos
O Kremlin negou, nesta sexta-feira (17), acusações dos Estados Unidos sobre interferência russa em processos eleitorais norte-americanos. A declaração ocorreu após pronunciamento de Donald Trump, que citou a Rússia, Irã e Coreia do Norte
O Kremlin negou, nesta sexta-feira (17), as acusações feitas pelos Estados Unidos sobre tentativas de interferência russa em processos eleitorais norte-americanos. A resposta do porta-voz do governo russo ocorreu após um pronunciamento televisivo de Donald Trump, realizado na quinta-feira (16), no qual o presidente dos EUA mencionou a Rússia, juntamente com Irã e Coreia do Norte, embora o foco principal de suas críticas tenha sido a China.
Histórico de acusações e investigações
A tensão entre Washington e Moscou sobre a integridade das urnas é recorrente. Em fevereiro de 2018, o Departamento de Justiça dos EUA formalizou acusações contra três entidades e 13 cidadãos russos, sob a alegação de que teriam atuado para beneficiar a campanha de Donald Trump e prejudicar a candidata Hillary Clinton nas eleições de 2016.
Na ocasião, Trump gerou controvérsia ao declarar confiança em Vladimir Putin e questionar as conclusões das agências de inteligência dos EUA. O ex-presidente foi alvo de uma investigação conduzida pelo procurador especial Robert Mueller, que durou 22 meses e terminou em março de 2019. O relatório final de Mueller concluiu que não houve crime de conspiração entre Trump e a Rússia, embora não tenha isentado o republicano de possível obstrução de justiça por falta de provas suficientes para condenação.
Apesar disso, em entrevista à televisão americana, Trump afirmou considerar Vladimir Putin pessoalmente responsável pelas tentativas de interferência em 2016.
Questionamentos sobre o pleito de 2020
Donald Trump mantém a tese de que a derrota nas eleições de 2020 foi resultado de fraudes. Esse argumento fundamentou a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, durante a referendação dos resultados pelo Congresso. Recentemente, o presidente anunciou a abertura de cinco grupos de documentos da Casa Branca que, segundo ele, comprovariam irregularidades, e solicitou ao diretor do FBI, Kash Patel, a abertura de uma investigação contra a China.
Contudo, a validade dessas alegações é contestada por diversos órgãos oficiais:
- Comunidade de Inteligência: Uma avaliação de 2021 indicou que nenhum ator estrangeiro alterou aspectos técnicos da votação de 2020, como cédulas ou registros de eleitores.
- Justiça e Auditorias: Tribunais e o Departamento de Justiça rejeitaram a existência de vulnerabilidades ou manipulação de urnas eletrônicas.
- Segurança Cibernética: A agência federal do setor classificou o pleito de 2020 como a votação mais segura da história do país.
Repercussões diplomáticas
A China também condenou as declarações recentes de Trump. No campo das sanções, o governo de Joe Biden, logo nos primeiros três meses de mandato em 2021, impôs penalidades à Rússia. A medida foi uma resposta direta a ataques virtuais contra agências governamentais e às interferências russas registradas nas eleições de 2016.