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Lago San Carlos é fechado no Arizona após a morte massiva de peixes

09 de Junho de 2026 às 18:19

O Departamento de Recreação e Vida Selvagem do Arizona fechou o lago San Carlos por tempo indeterminado devido à morte massiva de peixes. A Comissão de Caça e Pesca investiga a influência da seca, do uso agrícola da água e de contaminantes químicos no colapso. A supervisão da área cabe à Agência de Assuntos Indígenas e às autoridades da Reserva Apache

Lago San Carlos é fechado no Arizona após a morte massiva de peixes
YouTube/GilaHeraldJon

O fechamento indefinido do lago San Carlos, reservatório emblemático no Arizona, Estados Unidos, foi decretado pelo Departamento de Recreação e Vida Selvagem local após a morte repentina da maioria da fauna aquática. A medida ocorre diante de um cenário de risco sanitário grave, com milhares de carcaças de sardinhas pretas, bagres de canal e trutas americanas em decomposição nas margens, o que tornou a região inacessível para a pesca. A supervisão da área afetada está a cargo da Agência de Assuntos Indígenas e das autoridades da Reserva Apache.

A Comissão de Caça e Pesca do Arizona investiga as causas do colapso, fundamentando-se em desastres históricos semelhantes na região. As análises preliminares apontam que a combinação entre a seca climática severa e a demanda da agricultura local acelerou a catástrofe. A infraestrutura da barragem Coolidge prioriza o abastecimento do Distrito de Irrigação de San Carlos e da Comunidade Indígena do Rio Gila, negligenciando a sustentabilidade do habitat. Esse modelo de uso reduz o volume do reservatório a níveis críticos, condição técnica denominada "dead-pool".

A diminuição do espaço habitável provoca a superlotação das populações de peixes e a consequente queda do oxigênio dissolvido. O quadro é agravado pela escorrência de fertilizantes de plantações vizinhas, que injetam nutrientes excessivos no ecossistema e alteram os ciclos de vida das espécies. Esse aporte químico estimula a proliferação de microalgas que, embora produzam oxigênio durante o dia via fotossíntese, invertem o processo ao anoitecer, consumindo o oxigênio disponível e privando os peixes do elemento essencial.

Há ainda a preocupação com a presença da "alga dourada", espécie exótica invasora que colonizou ecossistemas aquáticos da região. Esse microrganismo secreta toxinas biológicas que inibem as funções respiratórias dos peixes de forma fulminante. Desde a construção da bacia artificial em 1930, o ambiente já sofreu colapsos semelhantes em pelo menos 20 ocasiões, evidenciando a fragilidade de um ecossistema subordinado às necessidades de irrigação. O órgão monitora agora os parâmetros químicos da água para estabelecer o diagnóstico definitivo do episódio.

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