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Líbano e Israel iniciam nova rodada de negociações em Washington para encerrar o conflito

23 de Junho de 2026 às 06:19

Líbano e Israel iniciam negociações diretas nesta terça-feira, em Washington, para encerrar o conflito iniciado em 2 de março. O governo libanês exige um cronograma para a retirada de tropas israelenses, enquanto Israel condiciona a paz ao desarmamento do Hezbollah

Líbano e Israel iniciam nova rodada de negociações em Washington para encerrar o conflito
Avi Ohayon/Reuters

O Líbano e Israel iniciam nesta terça-feira (23), em Washington, uma nova rodada de negociações diretas com a tentativa de encerrar o conflito iniciado em 2 de março. A guerra, desencadeada por disparos do Hezbollah contra Israel em apoio ao Irã, resultou em ofensivas aéreas e terrestres israelenses que causaram a morte de mais de 4.000 pessoas em território libanês.

Apesar da determinação de Beirute em avançar com as tratativas, o governo libanês enfrenta um cenário de fragilidade diplomática. Recentemente, os Estados Unidos e o Irã firmaram um memorando de entendimento que determinou a interrupção dos combates em diversas frentes, incluindo o Líbano. Embora esse acordo tenha gerado a trégua mais longa do conflito até agora, ele enfraqueceu a posição do Estado libanês, pois Teerã passou a incluir o Líbano em suas próprias negociações com Washington. O presidente Joseph Aoun já havia alertado que o Irã não possui legitimidade para negociar em nome do país.

As divergências entre as partes permanecem profundas, e quatro rodadas de conversas realizadas desde abril não resultaram em um cessar-fogo duradouro. O Líbano busca a retirada das tropas israelenses e exigirá, durante as reuniões de três dias, a apresentação de um cronograma razoável para a saída militar. Em contrapartida, autoridades de alto escalão de Israel afirmam que a permanência de seus soldados no sul do Líbano ocorrerá por tempo indeterminado.

Para o governo israelense, o objetivo central do diálogo é o desarmamento e o desmantelamento do Hezbollah, condição que o porta-voz David Mencer define como o único impedimento para a conquista de um acordo de paz genuíno. O governo libanês, por sua vez, mantém uma postura cautelosa desde 2025 para evitar o desarmamento do grupo armado via confronto direto, visando prevenir a eclosão de uma guerra civil. O Hezbollah já rejeitou a entrega de armas e defende que o governo libanês abandone as negociações diretas com Israel, apostando que o Irã consiga a retirada israelense por meio de seus acordos com os EUA.

O processo diplomático teve início em meados de abril, após a proposta de negociações diretas feita por Aoun em março e a posterior mediação dos Estados Unidos para viabilizar um acordo de paz. Desde então, houve a interrupção de ataques aéreos nos subúrbios ao sul de Beirute, mas os combates terrestres persistiram no sul do Líbano, com o avanço de tropas israelenses sobre vilarejos locais. Em junho, uma nova iniciativa de cessar-fogo proposta pelos EUA foi rejeitada pelo Hezbollah, que condicionava a interrupção dos ataques a termos específicos.

Atualmente, a falta de mudanças estruturais nas posições de ambos os países e a insatisfação de Israel com o acordo entre EUA e Irã elevam o risco de uma postura mais inflexível por parte dos israelenses em Washington, colocando em dúvida a possibilidade de progressos tangíveis nesta nova rodada.

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