Líder dos conservadores na Alemanha renuncia após ter filho por gestação por substituição nos Estados Unidos
O líder dos deputados conservadores na Alemanha, Jens Spahn, renunciou ao cargo neste sábado (18). A decisão ocorreu após a revelação de que o político teve um filho via gestação por substituição nos Estados Unidos, prática proibida por lei alemã e contrária às diretrizes da CDU
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/J/q/AmNOCETEK5BZTOQQC2rA/000-9qx3k2.jpg)
Jens Spahn, líder dos deputados conservadores na Alemanha, renunciou ao cargo neste sábado (18) após a revelação de que teve um filho por meio de gestação por substituição nos Estados Unidos. A prática é proibida por lei em território alemão e contraria as diretrizes da CDU, partido ao qual o político pertence.
A crise interna começou na quinta-feira (16), quando a imprensa divulgou a informação. O fato gerou reações imediatas dentro da legenda, com integrantes do grupo parlamentar e adversários políticos acusando Spahn de hipocrisia. A contradição é acentuada pelo fato de a CDU ter votado, em congresso realizado em fevereiro, pela manutenção da proibição da barriga de aluguel no país.
Repercussões políticas e institucionais
O chanceler Friedrich Merz classificou a renúncia como "justa e inevitável", destacando que a credibilidade é o ativo mais importante na política. Embora tenha parabenizado o deputado pelo nascimento da criança e reconhecido a importância de Spahn para o retorno da CDU ao poder, Merz reiterou que não há motivos para alterar a legislação alemã ou a posição histórica do partido sobre o tema.
A pressão por sua saída foi intensificada por lideranças regionais, como o presidente da CDU em Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, que definiu as escolhas do deputado como "absolutamente inaceitáveis".
Conflito ético e críticas externas
Em tentativa de defesa durante a sexta-feira (17), Spahn relatou ter enfrentado um "longo conflito interior" antes de optar pelo procedimento nos Estados Unidos. De acordo com informações do jornal Bild, a gestante estava no quarto mês de gravidez durante o congresso do partido em fevereiro.
Em comunicado aos colegas, o político admitiu que a conciliação entre sua decisão pessoal e as responsabilidades do cargo de presidente do grupo parlamentar foi mais complexa do que o previsto.
A saída de Spahn foi celebrada por partidos de oposição. Luigi Pantisano, dirigente do Die Linke (esquerda radical), criticou a situação como um exemplo de "dois pesos e duas medidas", argumentando que a lei é aplicada aos cidadãos comuns, enquanto figuras políticas com recursos financeiros conseguem contorná-la no exterior.
Trajetória de Jens Spahn
Aos 46 anos, Spahn é uma figura central da ala direita da CDU, onde defende pautas como o endurecimento da política de imigração. Durante a gestão de Angela Merkel, ele ocupou o cargo de ministro da Saúde, atuando na linha de frente durante a pandemia de Covid-19.