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Londres mobiliza 4 mil policiais para separar manifestações de extrema-direita e grupos pró-Palestina

16 de Maio de 2026 às 15:11

Mais de 4 mil policiais monitoraram duas manifestações de ideologias opostas em Londres neste sábado (16), resultando em 31 prisões. Um grupo de extrema-direita, liderado por Tommy Robinson, protestou na Praça do Parlamento, enquanto outro grupo manifestou apoio aos palestinos. A operação de segurança incluiu drones, cavalos, cães e veículos blindados

Londres mobiliza 4 mil policiais para separar manifestações de extrema-direita e grupos pró-Palestina
Kirsty Wigglesworth/AP

Londres registrou, neste sábado (16), a ocorrência simultânea de duas manifestações com motivações ideológicas opostas, exigindo a mobilização de mais de 4 mil policiais. A operação, descrita pela Polícia Metropolitana como uma das mais significativas dos últimos anos, envolveu o uso de drones, cavalos, cães e veículos blindados para manter uma zona tampão entre os grupos. Até o momento, as autoridades confirmaram a prisão de 31 pessoas por diversas infrações, sem detalhar a origem dos detidos.

Um dos atos foi a marcha "Una o Reino", organizada por Stephen Yaxley-Lennon, conhecido como Tommy Robinson. O ativista, marcado por posições islamofóbicas e anti-imigração, convocou a ação como uma expressão patriótica para unir o Ocidente. Concentrados na Praça do Parlamento, milhares de manifestantes de extrema-direita utilizaram bandeiras britânicas e bonés com a frase "Make England Great Again (Mega)", alegando a existência de discriminação contra pessoas brancas no país. Durante a mobilização, foram registrados gritos ultranacionalistas e pedidos pela renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer.

Paralelamente, outro grupo ocupou as ruas em apoio aos palestinos deslocados pela guerra de 1948. Os manifestantes, muitos trajando o kaffiyeh, utilizaram cartazes para protestar contra a extrema-direita e reivindicar a libertação de reféns palestinos. A segurança na capital britânica também precisou gerenciar o fluxo de torcedores no estádio de Wembley para a final da Copa da Inglaterra, disputada entre Chelsea e Manchester City.

O cenário de instabilidade nas ruas reflete a crise política enfrentada pelo governo trabalhista. Keir Starmer, que assumiu o cargo em julho de 2024 após 14 anos de gestões conservadoras, classificou a marcha de extrema-direita como um lembrete amargo da batalha pela alma do país. O premiê lida com a pressão interna após quatro ministros pedirem demissão na última terça-feira (12), incluindo Wes Streeting, ex-ministro da Saúde, que planeja concorrer contra Starmer em pleito futuro. Além disso, quase 80 parlamentares formalizaram, via carta, o pedido para que ele deixe o cargo.

A fragilidade do governo foi intensificada pelos resultados das eleições municipais e regionais de maio, nas quais o Partido Trabalhista perdeu cerca de 1.500 cadeiras de vereadores, enquanto a legenda de direita Reform UK apresentou crescimento expressivo. A queda de popularidade de Starmer está atrelada à dificuldade em entregar crescimento econômico, reformar a assistência social, melhorar serviços públicos e reduzir o custo de vida. Outro ponto de tensão é a postura do partido em evitar a retomada do debate sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, tema que divide a nação desde o referendo de 2016. Apesar do cenário, o primeiro-ministro declarou a intenção de liderar a legenda nas eleições gerais de 2029.

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