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Maioria dos espanhóis e gestores veem dependência excessiva de empresas de tecnologia estrangeiras na Europa

08 de Julho de 2026 às 09:28

Relatório da Fundação Telefónica indica que 82% dos espanhóis e 86% dos gestores veem dependência excessiva da Europa em relação a empresas de tecnologia estrangeiras. A inteligência artificial é a área de maior dependência corporativa, enquanto 87% dos cidadãos e 91% dos empresários defendem incentivos governamentais ao desenvolvimento tecnológico interno

Maioria dos espanhóis e gestores veem dependência excessiva de empresas de tecnologia estrangeiras na Europa
EFE/Adam Vaughan

A percepção de que a Europa possui uma dependência excessiva de empresas de tecnologia estrangeiras é compartilhada por 82% dos espanhóis e por 86% dos gestores empresariais. Os dados integram o relatório "Soberania Digital na Europa 2026", da Fundação Telefónica, elaborado com base em 2.000 entrevistas com a população residente na Espanha e 300 consultas a tomadores de decisão corporativos em junho de 2026.

Essa vulnerabilidade é interpretada como um risco estratégico, com 62% dos cidadãos vendo a presença de companhias tecnológicas externas como uma ameaça à segurança do continente. O cenário de atraso tecnológico é corroborado por 69% da população e 73% das empresas, que acreditam que a Europa perde espaço para os Estados Unidos e a China. A confiança na capacidade de reação europeia é dividida: 47% dos cidadãos acreditam no desenvolvimento de tecnologias competitivas nos próximos anos, enquanto 48% discordam.

A inteligência artificial é o setor de maior criticidade. No ambiente corporativo, 73% dos gestores apontam a IA como a área de maior dependência de fornecedores externos, seguida por serviços em nuvem (48%) e cibersegurança (39%). Apesar disso, a tecnologia é vista como uma oportunidade por 62% das empresas, e 64% delas utilizaram ferramentas de IA no último ano.

Existe um paradoxo entre a demanda por autonomia e o conhecimento de mercado. Embora 86% dos espanhóis defendam a criação de plataformas próprias para aumentar a competitividade, 67% dos cidadãos não conhecem alternativas europeias aos serviços internacionais. Caso houvesse equivalência de serviços, 70% da população e 69% dos empresários priorizariam a opção europeia.

A segurança de dados é outro ponto central de tensão. 80% dos espanhóis temem o acesso de grandes empresas de tecnologia a seus dados pessoais, e 78% consideram provável que companhias como Google, Meta, Amazon, Apple ou Microsoft comercializem ou cedam essas informações sem autorização. A sensação de desproteção contra o uso indevido de dados atinge 63% dos usuários. A preocupação é ainda mais aguda em categorias sensíveis: 90% temem o acesso a dados bancários, 85% a informações fiscais e patrimoniais, 79% à geolocalização e 78% a dados de saúde.

Diante desse quadro, há um consenso sobre a necessidade de intervenção estatal. 87% dos cidadãos e 91% dos empresários defendem que governos europeus incentivem o desenvolvimento tecnológico interno, priorizando a criação de alternativas em vez de focar apenas na regulação de plataformas estrangeiras.

No âmbito nacional, 86% dos entrevistados consideram fundamental que a Espanha possua serviços de cibersegurança e redes de telecomunicações próprios para reduzir a dependência externa. A importância de centros de dados e serviços em nuvem é vista por 83% e 79%, respectivamente, enquanto 77% classificam as redes de telecomunicações como infraestrutura crítica para a soberania digital do país.

Apesar do diagnóstico, 54% dos espanhóis acreditam que a soberania tecnológica da Europa crescerá na próxima década, evidenciando a distância entre a vontade social de migrar para soluções locais e a disponibilidade de ofertas competitivas no mercado.

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