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Manifestações contra imigrantes ilegais deixam quatro mortos e causam expulsões em cidades da África do Sul

30 de Junho de 2026 às 18:04

Manifestações contra imigrantes ilegais na África do Sul causaram a morte de ao menos quatro pessoas e a expulsão de milhares de estrangeiros nesta terça-feira. Os distúrbios incluíram ataques a comércios, residências e forças de segurança em diversas cidades. O grupo "March and March" planeja realizar marchas semanais pelos próximos seis meses

Manifestações contra imigrantes ilegais tomaram diversas cidades da África do Sul nesta terça-feira (30), coincidindo com o fim do prazo estabelecido para que estrangeiros sem documentação deixassem o país. O movimento, marcado por marchas de pessoas portando bandeiras nacionais e armas de madeira, resultou na morte de ao menos quatro pessoas e na expulsão de milhares de imigrantes de suas residências, além da vandalização de propriedades e comércios.

A instabilidade levou milhares de estrangeiros de outras nações africanas a abandonarem o território antes da data limite, enquanto trabalhadores imigrantes permaneceram em casa e estabelecimentos comerciais fecharam as portas para evitar novos distúrbios.

Em Thembisa, subúrbio ao norte de Johanesburgo, manifestantes atacaram a polícia e migrantes com pedras, sob relatos de disparos de arma de fogo próximos ao centro comercial. Em Benoni, a leste da mesma cidade, a polícia utilizou veículos táticos e efetuou disparos após ser ameaçada por um grupo de 500 pessoas. No bairro de Soweto, barracos de estrangeiros foram saqueados, e em Pietermaritzburg, nas proximidades de Durban, as forças de segurança usaram balas de borracha para dispersar os manifestantes. A polícia confirmou a prisão de saqueadores, mas não detalhou as ocorrências.

O grupo "March and March", liderado por Jacinta Ngobese em Durban, planeja organizar marchas semanais pelos próximos seis meses para pressionar o governo a utilizar recursos nacionais na expulsão de imigrantes ilegais. Ngobese afirmou que o movimento não assume a responsabilidade por atos espontâneos de violência cometidos por cidadãos sul-africanos.

A retórica antimigrante é alimentada por acusações de que estrangeiros roubam empregos, elevam a criminalidade e sobrecarregam os serviços públicos, embora cientistas sociais apontem a falta de evidências para tais alegações. Manifestantes, como Silindile Xaba, de 31 anos, justificam a mobilização pela falta de postos de trabalho para a população local. Paralelamente, há denúncias de que políticos estariam utilizando a xenofobia como estratégia para angariar votos nas eleições locais de novembro.

Os ataques, que ocorrem de forma esporádica desde 2008, frequentemente não distinguem entre imigrantes legais e ilegais. Esse cenário, somado à percepção de que a polícia falha em proteger as vítimas, desgasta a imagem internacional da África do Sul como defensora dos direitos humanos no período pós-apartheid.

Atualmente, a África do Sul detém a maior economia do continente africano e abriga cerca de 3 milhões de imigrantes, o que representa 4% da população total. Apesar de ser um polo de atração migratória, o país enfrenta profundas desigualdades sociais, com um terço de seus habitantes desempregados três décadas após o fim do regime de segregação racial.

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